quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

LIÇÃO 8 - O Perigo do Ardil Gibeonita

INTRODUÇÃO

A lição de hoje fala sobre o perigo do engano e da falsa aparência no meio do povo de Deus. Aprenderemos a não agir por conta própria, sem pedir a direção do Senhor, pois estamos rodeados de inimigos que se introduzem no meio de nós, com astúcia e engano, e se não vigiarmos, teremos que arcar com as conseqüências.

DEFINIÇÃO DE ARDIL

Ardil significa: “atitude astuciosa a que se recorre para burlar alguém ou enganar alguém; armadilha” (Dic. Aurélio). “É uma ação que se vale de astúcia, manha, sagacidade (malicioso); ardileza; que visa iludir; armação; cilada” (Dic. Houaiss).

GIBEONITA era o nome dado a um morador de GIBEOM (ou Gibeão), cidade principal dos HEVEUS, que ficava oito km a noroeste de Jerusalém. Depois que os gibeonitas fizeram um tratado de paz com Josué, tornaram-se servos, e mais tarde a cidade foi dada aos sacerdotes (Js 21.17).

COMENTÁRIO DA LEITURA EM CLASSE (resumo do cap. 9)

“E sucedeu que, ouvindo isso...” (v.1a) as nações ouviram o que Josué e Israel fizera com Jericó e Ai. Pois “assim, era o SENHOR com Josué; e corria a sua fama por toda a terra” (Js 6.27). “...os heteus, e os amorreus, e os cananeus, e os ferezeus, e os heveus, e os jebuseus...” (v.1b), aqui, entre os seis povos, não foram citados os girgaseus. Sabemos que, quando Deus fez um pacto com Abraão, foram citados dez povos (Gn 15.19-21), entretanto, é no livro de Deuteronômio (Dt 7.1, conf. Js 3.10,) que encontramos a referência dos sete povos que deveriam ser totalmente destruídos. Essa atitude de Deus é questionada por muitos, mas a destruição dos povos visava preservar Israel da idolatria e de práticas vergonhosas que trariam sua ruína, bem como, implantar o princípio bíblico de que há um só Deus, santo, justo e poderoso.
“Se ajuntaram eles de comum acordo, para pelejar contra Josué e contra Israel.” (v. 2), embora fossem independentes, os reis deixaram as diferenças de lado e juntaram-se para não permitir o avanço de Israel. “E os moradores de Gibeão...” (v.3), ou seja, os gibeonitas, que eram heveus, “...usaram também de astúcia”, para Israel vencer Ai, usou uma estratégia “astuciosa”, enviando emboscada e fingindo ir à batalha, fugiram diante dos soldados de Ai, enquanto isso, a emboscada destruía a cidade por trás deles, então viram-se os homens de Israel e enfrentam-no, não dando chance ao inimigo. Não da mesma forma, mas os gibeonitas “usaram também de astúcia”, e fingiram ser embaixadores de uma terra distante, usando sacos, odres de vinho, vestes e sapatos velhos, rasgados e remendados; traziam pães mofados, insinuando terem viajado já algum tempo. (v.4-5).
“E vieram a Josué [...] e lhe disseram: [...] fazei, pois, agora concerto conosco” (v. 7), nas primeiras palavras deles, já se percebe facilmente a artimanha, pois pedem para fazer concerto sem se identificarem. Desconfiado, Josué pergunta: “Quem sóis vós e donde vindes?” (v. 8), mais uma vez responderam astuciosamente, que vieram de uma terra mui distante e, conhecendo eles a fama de Josué, mostram-se temerosos ao SENHOR DEUS, dizendo-se servos (vv.9-13), entretanto, em nenhum momento, respondem a pergunta de Josué.
Desatentos, os israelitas aceitam o concerto, sem pedir “conselho à boca do SENHOR” (v. 14), o que Josué deveria ter feito (leia Números 27.21), aqui aconteceu a segunda falha do líder Josué. A primeira foi quando Israel subiu contra Ai, sem consultar o Senhor, e Josué se deixou levar, dando ouvidos aos espias e enviando apenas uns três mil homens à guerra (Js 7.4).
“E Josué fez paz com eles e fez um concerto com eles, que lhes daria a vida; e os príncipes da congregação lhes prestaram juramento.” (v.16). De acordo com o relato, nenhuma cidade conseguiu fazer acordo com Israel, a não ser os moradores de Gibeão (Js 11.19).
“...ao fim de três dias, depois de fazerem concerto com eles, ouviram que eram seus vizinhos...” (v.16) durou três dias a enganação dos gibeonitas, pois a primeira cidade que Israel encontrou foi exatamente a de Gibeão, então foi descoberta a astúcia. Já era tarde demais, os príncipes da congregação já tinham jurado pelo SENHOR, Deus de Israel, e toda a congregação murmurou contra os príncipes, embora que não podiam voltar atrás. (v.18-19).
“Disseram-lhes, pois, os príncipes: Vivam...” (v.21), diante da decisão, Josué chama os homens e abre um interrogatório dando-lhes de imediato a sentença: “Por que nos enganastes? [...] Agora, pois, sois malditos; e, dentre vós, não deixará de haver servos, nem rachadores de lenha, nem tiradores de água, para a casa do meu Deus.” (vv. 23-24).
Observe que eles conheciam e tinham certeza sobre o que Deus “ordenou a Moisés” (Dt 7.1-2), de forma que temeram muito, sabendo que morreriam se assim não o fizessem (v.24). Então os filhos de Israel não os mataram, mas Josué os fez escravos, rachadores de lenha e tiradores de água para a congregação e para o altar do Senhor (vv. 26-27).

A UNIÃO DOS REIS DE CANAÃ

Os reis de Canaã quando souberam o que Israel, liderado por Josué, fizera aos povos de Jericó e Ai, entraram em pânico, e sem se importar com suas indiferenças, fizeram acordo com um objetivo comum: pelejar contra Israel, pois eles sabiam que Israel tinha declarado guerra mortal aos povos de Canaã.

Josué, o grande líder e estrategista! Sua fama correu pelas terras de Canaã. Ele liderava o povo que servia a um Deus poderoso, e quão invencível era esse Deus que fez grandes milagres no Egito, abriu Mar Vermelho, fez água sair da rocha, conteve as águas do Rio Jordão em época de cheia, derribou as muralhas de Jericó e acabara de destruir a cidade de Ai; era o Deus de Israel, o Senhor dos Exércitos! Todos os povos de Canaã estavam apavorados e inseguros com o que esse Deus poderia fazê-los.

Aplicando: Do mesmo modo acontece em nossa vida. Quando colocamos o propósito de servir ao senhor sem reservas, o inimigo de nossas almas junta suas hostes infernais para batalhar contra nós (Ef 6.12), mas o nosso líder Jesus Cristo, comandante da Igreja, detém todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18), e está “acima de todo principado, e poder, e potestade, e domínio” (Ef 1.21a), “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai.” (Fl 2.9-11). Entretanto, temos que ficar firmes e vigilantes, orando em todo o tempo (Ef 6.14-18).

A ATITUDE ASTUCIOSA DOS GIBEONITAS
Esse é o foco central dessa lição: o perigo do engano e da falsa aparência no meio do povo de Deus.

Quem eram os gibeonitas?

Já foi relatado no início, mas cabe aqui uma informação: o povo gibeonita era heveu (9.1,7), estando, portanto, incluídos nos sete povos que deveriam ser destruídos (Dt 7.1). O detalhe que chama atenção, é que eles se juntaram com os seis povos para pelejar contra Israel, entretanto, ao mesmo tempo em que fingiram ser amigos das nações, por outro lado, conseguiram enganar a Israel e fizeram acordos entre eles, veja:

A astúcia do inimigo contra seus “amigos”

Todas os povos citados em (Dt 7.1), eram independentes e viviam cada um no seu território, mas verificamos que os gibeonitas eram mais espertos, estavam ameaçados de morte juntamente com as outras seis nações, e decidiram agir de comum acordo para pelejar contra Israel. Aconteceu que, os espertos gibeonitas planejaram se infiltrar disfarçadamente em Israel e tiveram êxito: conseguiram fazer um acordo de paz com os israelitas. Porém os outros seis povos não sabiam dessa artimanha. Mais tarde, ao descobrirem, sitiaram Gibeão e pelejaram contra ela (Js 10.5).

A astúcia do inimigo contra os “inimigos”

Nesse caso, os gibeonitas que eram inimigos do povo israelita, sabiam que Deus estava com Israel (Js 9.24), e planejaram uma forma de enganar o povo de Deus. O historiador Flávio Josefo, relata:

“Escolheram os mais hábeis dentre eles e os enviaram a Josué. Os embaixadores julgaram que, para obter êxito no seu intento, não deveriam dizer que eram cananeus, mas, ao contrário, fazer pensar que o seu país ficava muito longe e que nenhuma ligação tinham com eles [...] Para justificar o embuste (ardil, engano), tomaram vestuários velhos, a fim de fazer crer que vinham de longa caminhada [...] Josué, acreditando nas palavras deles, concedeu-lhes o que pediam. Eleazar, sumo sacerdote, e o Senado prometeram-lhes com juramento tratá-los como amigos e aliados, e o povo ratificou a aliança.” (Livro: História dos Hebreus – Flávio Josefo).

Ele diz ainda que os gibeonitas se sentiram obrigados a fazer isso, porque não viam outro meio de se salvar.

O povo de Deus enganado

Nosso Deus é onisciente e sabia antecipadamente que isso iria acontecer, pois em Juízes 3.1-4, diz que os heveus (cananitas e outros), foram poupados para por à prova a fidelidade de Israel no futuro.

A semelhança dessa lição do povo de Israel com a situação da Igreja em nossos dias é incontestável, observe alguns exemplos:
a) Estamos em constante batalha espiritual (1 Pe 5.8-9; Ef 6.11-12);
b) Devemos vigiar para não sermos enganados (1Co 16.13; Mt 7.15; At 20.30-31);
c) Devemos tirar de nosso meio tudo que não agrada a Deus (1Pe 2.1; Cl 3.8; Hb 12.1);
d) Vamos procurar não agir por conta própria (Js 9.14; Is 30.1; Gl 5.16);

ATENÇÃO! Na presente era, Satanás emprega as idéias mundanas de moralidade, das filosofias, psicologia, desejos, governos, cultura, educação, ciência, arte, medicina, música, sistemas econômicos, diversões, comunicação de massa, esporte, agricultura, etc., para opor-se a Deus, ao seu povo, à sua Palavra e aos seus padrões de retidão (Mt 16.26; 1Co 2.12; 3.19; Tt 2.12; 1Jo 2.15,16; Tg 4.4; Jo 7.7; 15.18,19; 17.14). (Bíblia de Estudo Pentecostal).

A FARSA DESCOBERTA

Levou três dias para descobrirem que foram enganados (v. 16)

Quando Israel avança em direção as cidades, depara-se com “Gibeão, e Cefira, e Beerote, e Quiriate-Jearim.” (v. 17), e descobre que aqueles homens que fizeram concerto, eram na verdade habitantes destas cidades, de forma que não podiam feri-la, por causa do juramento em nome do Senhor, e toda a congregação murmurou contra os príncipes (v. 18-19).

Diante da pergunta: Por que os filhos de Israel honraram a aliança que tinham feito com os gibeonitas, mesmo depois de descobrirem que tinham sido enganados?

RESPOSTA: Talvez, sob outras circunstâncias, a aliança feita por Josué e Israel poderia ser anulada, devido à descoberta da fraude. Entretanto, tal aliança havia sido celebrada com base num solene ato de juramento, feito no nome do Senhor Deus de Israel (v. 18). Essa infeliz situação aconteceu com Israel porque eles "não pediram conselho ao Senhor" (v.14). Por terem se amarrado com o juramento que fizeram no nome do Senhor, eles não puderam romper a aliança com os gibeonitas. Embora eles tenham se tornado servos do povo de Israel, sempre foram uma permanente fonte de problemas na história de Israel. (Jz 3.1-4; 2.21-22) - MANUAL POPULAR de Dúvidas, Enigmas e "Contradições" da Bíblia - Norman Geisler - Thomas Howe.

OS GIBEONITAS ATUAIS

Verdadeiramente foi predito pelos apóstolos que, “nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1Tm 4.1).

OBS.: Seria importante citar a história de Balaão, um profeta filho de Beor, que foi chamado pelo rei Balaque para amaldiçoar o povo de Israel. Mas Deus não se agradou da atitude dele, porque desejou receber as honrarias do rei pela sua cobiça e ambição. Mesmo não podendo amaldiçoar o povo, pois o mesmo estava debaixo da proteção divina, ele ensinou ao rei Balaque como proceder para fazer o povo de Deus pecar. A infeliz trajetória dele se encontra em Números cap’s 22,23 e 24, e é citado três vezes no N.T., por Pedro (2Pe 2.15), por Judas (v.11) e por Jesus (Ap 2.14). Nas três referências, existe uma mensagem de aviso para a Igreja, de não seguir os exemplos de seus caminhos, pois ele ficou conhecido como símbolo de rebelião.

Como disse o comentarista da lição, Pr. Elienai Cabral, precisamos vigiar! Pois líderes, pregadores e ensinadores falsos estão promovendo enganos, confusão e discórdia. Trazendo toda sorte de contaminação, por meio de ensinos heréticos, falsa unção, pseudo-espiritualidade e costumes mundanos...

O apóstolo Paulo adverte: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (2 Co 11.3).

CONCLUSÃO

É de suma importância atentarmos para o que diz o apóstolo Paulo: “porque não ignoramos os seus ardis” (2Co 2.11), ele se refere aos ardis de Satanás, ou seja, não podemos ignorar que o Diabo se utiliza de atitudes maliciosas, tentando nos vencer pelo engano. Assim como ele enganou Adão e Eva, continua tentando os homens durante toda a história (1Pe 5.8)

Atualmente, por exemplo, Satanás usa a profissão médica, para defender e promover a matança de seres humanos nascituros; a agricultura para produzir drogas destruidoras da vida, tais como o álcool e os narcóticos; a educação, para promover a filosofia ímpia humanista; e os meios de comunicação em massa, para destruir os padrões divinos de conduta. Os crentes devem estar conscientes de que, por trás de todos os empreendimentos meramente humanos, há um espírito, força ou poder maligno que atua contra Deus e a sua Palavra. (Bíblia de Estudo Pentecostal)
Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas essas coisas que hão de acontecer e de estar em pé diante do Filho do Homem. (Lc 21.36).

2 comentários:

PALAVRA RHEMA disse...

Shalom quero desde ja esta parabenizando o amado irmao pelo bom desenvolvimento do comentario da liçao 8,onde podemos encontrar subsidios p/ uma melhor escola dominical que Deus esteja derramando sobre vos copiosas bençao e que yeshuaramachia te guarde. ass. Pb Jocenan

Marcello de Oliveira disse...

Shalom!

1. CAro Jean, parabéns pelo blog, e pela bela desenvoltura desta lição. Que bom saber, que existem homens que amam a Palavra e a expoem com fidelidade, e profundidade, sem perder a simplicidade.

um gde abraço, Pr Marcello

Medite em Sl 119.32

P.S> veja a estréia do meu blog:

http://www.davarelohim.blogspot.com/