Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

LIÇÃO 1 – A Primeira Carta de João

A autoria da epístola em estudo é atribuída ao apóstolo João pela longa tradição da igreja, mas existem outras evidências que confirmam e, em alguns casos, até excedem a exatidão dessa tradição. Isso é o que veremos no estudo desta carta universal, no início de mais um novo trimestre. Serão abordados também o entendimento e o conhecimento sobre o autor e a carta, bem como seu propósito.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE (1Jo 1.1-4)

O autor da epístola começa com um relato ou natureza da pessoa do Mediador. Ele é o grande tema do evangelho, o fundamento e objeto de nossa fé e esperança, o elo que nos une a Deus. Ele deveria ser bem conhecido.

“O que era desde o princípio...” (v.1). Pa­rece evidente que o apóstolo fala da eternidade dEle, como desde o princípio, pelo fato de ele falar do Cristo como era no princípio e desde o princípio; quando estava com o Pai, antes da sua manifestação a nós, antes da cri­ação de todas as coisas (como em Jo 1.2,3).

OBS.: “...o que ouvimos...”. Essa parte do versículo não está na versão da Bíblia Revista e Corrigida, que geralmente se usa na Leitura Bíblica em Classe. Desconheço o motivo do acréscimo, mas aproveito para mostrar que na versão da Bíblia Revista e Atualizada, encontramos assim: “...o que temos ouvido...”. Portanto, com as evidências e certezas convincentes que os apóstolos e seus irmãos tinham da presença e da convivência do Mediador neste mundo, a Vida (que é Jesus) foi revestida de carne, colocada no estado e forma da natureza humana e, como tal, forneceu prova sensível de sua existên­cia e operações aqui. A vida divina, ou Palavra encarnada (Jo 1.1,14), se apresentou e se evidenciou aos sentidos dos apóstolos. Os quais não apenas ouviram a respeito dele, mas o ouviram pessoalmente. Por mais de três anos eles puderam presenciar seu ministério, ser ouvintes de seus sermões públicos e exposições priva­das e ficar encantados com as palavras daquele que falou como nenhum outro homem falou antes ou desde então (Jo 7.46).

“...o que vimos com os nossos olhos...”. A Palavra se tornaria visível, não seria apenas ouvida, mas vista, vista publicamente, privativamente, à distância e na proximi­dade (com todo o uso e exercício que pudésse­mos fazer dos nossos olhos). Nós o vimos em sua vida e ministério, o vimos na sua transfiguração no monte, pendurado, sangrando, morrendo e morto, na cruz, e o vimos depois de seu retorno da sepultura, na sua ressurreição dentre os mortos. Seus apóstolos precisavam ser tanto testemunhas visuais quanto testemunhas auricu­lares. “É necessário, pois, que, dos varões que conviveram conosco todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, começando desde o batismo de João até ao dia em que dentre nós foi recebido em cima, um deles se faça conosco testemunha da sua ressurreição” (At 1.21,22; ler 2Pe 1.16).

“...o que temos contemplado...”.
Possivelmente, podemos interpretar essa frase dizendo que, aos sentidos internos, aos olhos de sua mente, diferentemente da percepção anterior (vimos com os nosso olhos), pode ser o mesmo com o que o apóstolo diz no seu Evangelho (cap. 1.14): “E vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai”. A palavra não é aplicada ao objeto imediato do olho, mas àquilo que foi racionalmente concluído do que viram. Em outras palavras, ficaria assim: “O que discernimos, contemplamos e vimos bem, o que conhe­cemos bem dessa Palavra da vida, isso relatamos a vocês”.

“...e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida”. Isso certamente se refere à plena convicção que o Senhor propiciou aos seus apóstolos acerca da verdade, re­alidade e solidez de seu corpo, depois de sua ressurreição dentre os mortos. Quando Ele mostrou as mãos e seu lado (Jo 20.24-27), é provável que tenha dado a eles a permissão para tocá-lo; pelo menos, Ele sabia da incredulidade de Tomé e sua firmeza declarada em não acreditar até que ti­vesse visto e sentido as marcas dos ferimentos que causa­ram a sua morte. Portanto, na reunião seguinte, Ele cha­mou Tomé, na presença de todos, para satisfazer a sua curi­osidade e descrença. E provavelmente outros apóstolos também fizeram o mesmo. As “...vossas mãos tocaram da Palavra da vida”. A Palavra e a vida invisível não desprezavam o testemunho dos sentidos. Os sentidos, em seu lugar e esfera, são um meio que Deus designou, e o Senhor Jesus Cristo empregou, para nossa informação. Nosso Senhor pro­curou satisfazer (tanto quanto possível) todos os sentidos dos apóstolos, para que pudessem ser as mais autênticas teste­munhas dele no mundo, e isso pode ser confirmado no versículo 3.

“...e testificamos dela, e vos anunciamos [...] O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos...” (vv.2,3). Cabia aos apóstolos expor aos discípulos as evidências pelas quais eram guiados, as razões pelas quais eram constrangidos a propagar a doutrina cristã no mundo. A verdade evidente abriria suas bocas e for­çaria uma confissão pública. “...não podemos deixar de falar o que temos visto e ouvido” (At 4.20).

“...para que também tenhais comunhão conosco...” (v.3). O apóstolo não se refere à comunhão pessoal de associação nas mesmas administrações eclesiásticas, mas comunhão com o céu e bênçãos que vêm de lá e vão para lá. Essa é uma comunhão que pertence a todos os santos, do apóstolo mais importante ao crente mais humilde. Todos estariam desejosos dessa comunhão para reter seguramente a sua fé, que é o meio desse tipo de comunhão, afim de que os apóstolos também auxiliassem os discípulos à chegarem na mesma comunhão com eles, e ela é “com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo”. Temos agora um re­lacionamento tão sobrenatural com Deus e com o Senhor Jesus Cristo, que serve como um penhor e deleite antecipado de nossa permanência eterna com Eles e do nosso prazer ne­les, na glória celestial.

OBS.: Veja para que fim a vida eterna se tornou carne: para que Ele pudesse nos levar à vida eterna em comunhão com o Pai e com Ele mesmo. Veja quão abaixo da dignidade, fi­nalidade e resultado da fé e da instituição cristã estão aqueles que não têm uma comunhão abençoada com o Pai e seu Filho Jesus Cristo.

“Estas coisas vos escrevemos, para que o vosso gozo se cumpra” (v.4). A dispensação do evangelho não é pro­priamente uma dispensação de medo, tristeza e pavor, mas de paz e gozo. O mistério da fé cristã foi planejado diretamente para a alegria dos mor­tais. Deveria produzir alegria em nós o fato de o Filho eterno ter vindo para nos buscar e salvar, ter realizado uma expiação completa pelos nossos pecados, vencido o pecado, a morte e o inferno, e estar' vivo como nosso Intercessor e Advogado diante do Pai e que virá nova­mente para aperfeiçoar e glorificar seus servos perseve­rantes. Crentes deveriam se regozijar em seu alegre relacionamento com Deus, como seus filhos e her­deiros, seus amados e adotados; em seu alegre relacio­namento com o Filho do Pai, sendo membros de seu amado corpo e co-herdeiros com Ele; no perdão dos seus pecados, na santificação de suas naturezas, na adoção de suas pessoas e na expectativa da graça e glória que se­rão reveladas no retorno do céu do seu Senhor e cabeça. Se estivessem aprovados na fé, certamente se alegrari­am muito! “E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo” (At 13.52).

1. EVIDÊNCIAS QUE CONFIRMAM A AUTORIA DO APÓSTOLO JOÃO

a) Parece que o autor fazia parte do Colégio Apostólico pela confiança sensível e palpável que tinha acerca da verdade da pessoa do Mediador em sua natureza humana: “o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da Vida” (v.1). Ele cita a evidência que o Senhor deu a Tomé de sua ressurreição, ao convidá-lo para tocar as marcas dos pre­gos e da lança, que foi registrada por João (Jo 20.27);

b) E ele deve ter sido um dos discípulos presentes quando o Senhor veio no mesmo dia em que ressuscitou dos mortos e mostrou a eles suas mãos e seu lado (Jo 20.20);

c) Os dois livros harmonizam maravilhosamente em relação aos títulos e características do Redentor: a Pala­vra, a Vida, a Luz; o nome pelo qual se chama é a Palavra de Des. Compare cap. 1.1 e 5.7 com João 1.1 e Apocalipse 12.13;

d) Eles harmonizam na aprovação do amor de Deus a nós (cap. 3.1 e 4.9; Jo 3.16) e quanto à nossa regeneração ou ser nascido de Deus (cap. 3.9; 4.7; e v. 1; Jo 3.5,6);

e) Por último, eles harmonizam na alusão ou uso da passagem no evangelho que re­lata (de maneira única) a saída de água e sangue do lado do Redentor: “Este é aquele que veio por água e sangue” (1Jo 5.6; cf. Jo 19.34). Dessa forma, a epístola parece brotar claramente da mesma pena do autor do quarto evangelho. Ao lermos (João 21.24) o historiador sacro identifica-se da seguinte maneira: “Este é o discípulo que tes­tifica dessas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro”. Então, quem é esse discípulo, senão aque­le acerca de quem Pedro perguntou: “Senhor; e deste que será?” E a respeito de quem o Senhor respondeu: “Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa ti?” (v. 22). E quem (v. 20) é descrito por essas três características:
(1) Que ele é o “... discípulo a quem Jesus amava”, o amigo especial de Jesus (cf. Jo 13.23);
(2) Que ele “...se recostara também sobre o seu peito” (cf. Jo 13.25);
(3) Quem ele disse: “Senhor; quem é que te há de trair?” (cf. Jo 13.25). Tão certo, então, de que esse discípulo de fato era João, a igreja tam­bém pode estar certa de que aquele evangelho e esta epístola vieram do amado apóstolo João.

HENRY, Mathew. Comentário Novo Testamento.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

LIÇÃO 12 – AJUDA AOS NECESSITADOS


INTRODUÇÃO

No que diz respeito à ajuda aos necessitados, o apóstolo Paulo orienta aos coríntios que é muito importante que não fizessem apenas o que é requerido, mas fizessem como é ordenado, ou seja, prestar o auxílio da maneira certa e aceitável. Mostre aos alunos que nos versículos 5 e 6, esperava-se uma contribuição abundante, não com avareza, mas com generosidade, de maneira que esta generosidade deveria ser cultivada em nosso ato de ofertar.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE (2Co 9.6-12)

“E digo isto: Que o que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia em abundância em abundância também ceifará” (v.6). O apóstolo Paulo ensina aos coríntios vários princípios bíblicos, e o primeiro pode ser chamado o “princípio de semear e colher”, ao qual emprega a figura da colheita (cf. Pv 11.25; 22.8,9; Lc 6.38). A lição é simples: quanto mais um fazendeiro semear, maior será a colheita.

“Cada um contribua segundo propôs no seu coração...” (v.7). Deveria ser de maneira decisiva e reflexiva. Obras de caridade, como outras boas obras, devem ser feitas com planeja­mento, já que alguns apenas as fazem eventualmente. Por exemplo: alguns se compadecem momentaneamente de outros, sem um bom intento no coração, e dão mais do que gostariam e, então, se arrependem dis­so mais tarde. Ou, talvez se considerassem devi­damente a situação, teriam dado mais. Analisar as circunstâncias das pessoas que estamos prestes a ajudar é muito útil para nos orientar em quão genero­sos devemos ser nas contribuições para fins de ca­ridade.

“...não com tristeza ou por necessidade...”. Essa oferta deve ser de maneira voluntária, indepen­dentemente de quanto damos, seja mais, seja menos. As pessoas às vezes vão dar meramente para satisfazer a insistência daqueles que pedem a sua Cari­dade. Eles dão de forma forçada, e essa má vontade es­traga tudo que fazem. Devemos dar além daquilo que algumas pessoas necessitadas nos pedem. Não devemos somente dar o pão, mas também a nossa alma (Is 58.10).

“... porque Deus ama ao que dá com alegria”. Tendo em vista que a oferta é uma “dádiva generosa”, Deus ama a do­ação que é feita alegremente (Rm 12.8), com a mão aberta, com um semblante satisfeito, estando gratos pela oportunidade de sermos caridosos.

Agora Paulo fala de um primeiro incentivo àqueles que ofertam conforme a maneira acima, ou seja, um encorajamento para realizar essa obra de cari­dade da forma que foi dirigida.

A) Eles não serão perdedores naquilo que derem.
- Es­sas pessoas deveriam lembrar que o que é dado aos pobres da maneira correta, certamente não estará perdido. A se­mente preciosa que é lançada no solo não é perdida, embo­ra esteja enterrada ali por um tempo. Ela brotará e dará fruto. O semeador a receberá novamente com abundância (v. 6).

B) Deus ama o doador alegre (v. 7)
Esses doadores serão objetos do amor divino; esse amor e o favor de Deus são melhores do que todas as outras coisas, melhores até do que a própria vida!

C) Deus é poderoso para fazer nos­sa caridade resultar em benefício próprio (v.8)
- Não temos motivos para desconfiar da bondade de Deus, e certamen­te não temos motivos para questionar seu poder... pois...

“Deus é poderoso para tornar abundante em vós toda graça...” (v.8). Ele pode fazer com que tenhamos todas as nossas necessidades supridas e que estejamos contentes com o que te­mos, para que seja reposto o que damos, e assim sejamos capazes de dar ainda mais, “...a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda suficiência, superabundeis em toda boa obra”. Como está escrito em relação ao homem generoso que teme a Deus (SI 112.9). A honra disso é duradoura, a recompensa é eterna, e ele continua tendo condições de viver conforta­velmente e de dar generosamente aos outros. “Conforme está escrito: Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre” (v.9).

Paulo usa então outro incentivo espiritu­al: elabora uma oração a Deus em favor deles para que se­jam ganhadores e não perdedores.

[1] A quem a oração é feita - a Deus,
“...que dá a semente ao que semeia” (v.10), e que, pela sua providência, dá um aumento tão grande de frutos da terra que não temos ape­nas pão suficiente para comer ao longo do ano, mas sufici­ente para nova sementeira visando o suprimento futuro. É Deus que nos dá não só os nossos meios de subsistência, mas também o que é necessário para suprir as necessida­des dos outros, como sementes a serem semeadas.

[2] O motivo da oração.
Há vários motivos, a saber: “... pão para comer também multiplicará a vossa sementeira e aumentará os frutos da vossa justiça” (v.10). Assim poderão colher com abundância e ter o melhor e mais amplo retorno da sua ca­ridade, e em tudo enriquecer.

OBS.: Obras de caridade ja­mais nos empobrecerão, porque são os meios apropriados para tornar-nos verdadeiramente ricos.

“Para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se dêem graças a Deus. Porque a administração desse serviço não só supre as necessidades dos santos, mas também redunda em muitas graças, que se dão a Deus” (vv.11,12). Através de Paulo e daqueles que adminis­tram a oferta, a generosidade da dádiva coríntia faria com que muitos voltassem seus corações agradecidos a Deus em ação de graças - corações agradecidos glorificariam a Deus por verem nesta dá­diva generosa, a prova de que os coríntios não somente professam o evangelho, mas vivem em obediência aos seus ensinos.

OBS.: Paulo não poderia ter-nos dado um incentivo mais forte, não apenas por pregar as boas no­vas, mas também por vivê-las. Isto é, quando o povo de Deus, redimido por sua graça, espelha sua misericórdia através dos atos de compaixão e amor, cria uma mensagem poderosa, incentivadora e dificilmente resistível.

Embora não esteja na Leitura Bíblica em Classe, é digno de nota que Paulo encerra esta passagem com um in­centivo final: “...na prova desta administração, glorificam a Deus pela submissão que confessais quanto ao evangelho de Cristo [...] e pela sua oração por vós, tendo de vós saudades, por causa da excelente graça de Deus [...] Graças a Deus, pois, pelo seu dom inefável.” (vv.13-15). A liberalidade dos coríntios faria com que os destinatários da oferta orassem fervorosamente e afetuosamente por eles, com orações inspiradas pela maravilhosa graça e obra de Deus no interior de cada um deles. Na menção da graça redentora de Deus, Paulo irrompe em louvor, agra­decendo ao Senhor por seu indescritível dom. Uma vez que este dom é dado pelo próprio Deus como evidência de sua gra­ça abundante e está além de qualquer des­crição, Paulo certamente tem Cristo em mente, o próprio Filho de Deus (Rm 6.23; 8.32; 2 Co 8.9; cf. Ef 1,6).

A PREVISÃO E PROVISÃO DOS NECESSITADOS

“Porque sempre tendes os pobres convosco e podeis fazer-lhes bem” (Mc 14.7). Essa frase pronunciada por Jesus, baseia-se no livro de Deuteronômio 15.11, que diz: “Pois nunca cessará o pobre do meio da terra; pelo que te ordeno, dizendo: Livremente abrirás a tua mão para o teu irmão, para o teu necessitado e para o teu pobre na tua terra”. Encontramos nesse texto o cuidado de Deus para com os necessitados, que serve de orientação para o seu povo. Mas, observando atentamente o contexto (vv.1-10), Deus ordena que os credores quitem as dívidas dos seus irmãos pobres, “somente para que entre ti não haja pobre” (v.4), pois agindo assim, seriam abundantemente abençoados se obedecessem a esse mandamento. O texto ainda mostra que quando entre eles houvesse “algum pobre de teus irmãos [...] não endurecerás o teu coração, nem fecharás a tua mão a teu irmão que for pobre” (v.7). Observe que a vontade de Deus é que no meio do seu povo não haja necessitados, pois os que têm devem ajudar os que não têm. Entretanto, foi predito que sempre existiriam os pobres e Jesus mostra-nos que isso é verdade. Mas, também existe a possibilidades de contermos, de maneira generosa, a quantidade de necessitados em nosso meio, provendo-lhes o que propormos no coração, pois Deus ama o que dá com alegria e, ele mesmo diz, “Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados, me levantarei agora, diz o SENHOR...” (Salmos 12:5).


A RESPONSABILIDADE DOS CRENTES DIANTE DOS POBRES E NECESSITADOS

Diante do quadro mundial em que vivemos, observamos que a globalização tem ajudado muito o desenvolvimento da economia do país, mas, por outro lado, tem deteriorado a condição social de muitos, pois, enquanto que 70% dos bens do país são controlados por uma minoria, a maioria da população encontra-se em condições miseráveis, vivendo de maneira desumana. e a Igreja do Senhor está convivendo nesse contexto social e atual.

Deus ordena a seu povo que evidencie profunda solicitude pelos pobres e necessitados, especialmente pelos domésticos na fé.

- Boa parte do ministério de Jesus foi dedicado aos pobres e desprivilegiados na sociedade judaica. Dos oprimidos, necessitados, samaritanos, leprosos e viúvas, ninguém mais se importava a não ser Jesus (cf. Lc 4.18,19; 21.1-4; Lc 17.11-19; Jo 4.1-42; Mt 8.2-4; Lc 17.11-19; Lc 7.11-15; 20.45-47). Ele condenava duramente os que se apegavam às possessões terrenas, e desconsideravam os pobres (Mc 10.17-25; Lc 6.24,25; 12.16-20; 16.13-15,19-31.

- Jesus espera que seu povo contribua generosamente com os necessitados (ver Mt 6.1-4). Ele próprio praticava o que ensinava, pois levava uma bolsa da qual tirava dinheiro para dar aos pobres (ver Jo 12.5,6; 13.29). Em mais de uma ocasião, ensinou aos que o queriam seguir a se importarem com os marginalizados econômica e socialmente (Mt 19.21; Lc 12.33; 14.12-14,16-24; 18.22). As contribuições não eram consideradas opcionais. Uma das exigências de Cristo para se entrar no seu reino eterno é mostrar-se generoso para com os irmãos e irmãs que passam fome e sede, e acham-se nus (Mt 25.31-46).

- O apóstolo Paulo e a igreja primitiva demonstravam igualmente profunda solicitude pelos necessitados. Bem cedo, Paulo e Barnabé, representando a igreja em Antioquia da Síria, levaram a Jerusalém uma oferta aos irmãos carentes da Judéia (At 11.28-30). Quando o concílio reuniu-se em Jerusalém, os anciãos recusaram-se a declarar a circuncisão como necessária à salvação, mas sugeriram a Paulo e aos seus companheiros “que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência” (Gl 2.10). Um dos alvos de sua terceira viagem missionária foi coletar dinheiro “para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém” (Rm 15.26). Ensinava as igrejas na Galácia e em Corinto a contribuir para esta causa (1Co 16.1-4). Como a igreja em Corinto não contribuísse conforme se esperava, o apóstolo exortou demoradamente aos seus membros a respeito da ajuda aos pobres e necessitados (2Co 8;9). Elogiou as igrejas na Macedônia por lhe terem rogado urgentemente que lhes deixasse participar da coleta (2Co 8.1-4; 9.2). Paulo tinha em grande estima o ato de contribuir.

- Na epístola aos Romanos, ele arrola, como dom do Espírito Santo, a capacidade de se contribuir com generosidade às necessidades da obra de Deus e de seu povo (ver Rm 12.8 nota; ver 1Tm 6.17-19).

- Nossa prioridade máxima, no cuidado aos pobres e necessitados, são os irmãos em Cristo. Jesus equiparou as dádivas repassadas aos irmãos na fé como se fossem a Ele próprio (Mt 25.40, 45). A igreja primitiva estabeleceu uma comunidade que se importava com o próximo, que repartia suas posses a fim de suprir as necessidades uns dos outros (At 2.44,45; 4.34-37). Quando o crescimento da igreja tornou impossível aos apóstolos cuidar dos necessitados de modo justo e equânime, procedeu-se a escolha de sete homens, cheios do Espírito Santo, para executar a tarefa (At 6.1-6). Paulo declara explicitamente qual deve ser o princípio da comunidade cristã: “Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé” (Gl 6.10).

- Deus quer que os que têm em abundância compartilhem com os que nada têm para que haja igualdade entre o seu povo (2Co 8.14,15; cf. Ef 4.28; Tt 3.14). Resumindo, a Bíblia não nos oferece outra alternativa senão tomarmos consciência das necessidades materiais dos que se acham ao nosso redor, especialmente de nossos irmãos em Cristo.

CONCLUSÃO

O cristianismo puro e simples é uma sub­missão ao evangelho, uma rendição da nossa vida à in­fluência dominante das suas verdades e leis. Devemos evidenciar a sinceridade da nossa submissão ao evange­lho pelas obras de caridade; isso será para o mérito da nossa confissão e para o louvor e glória de Deus. Os atendidos por essa generosidade no ofertar, bus­cam dar a sua melhor retribuição ao realizar muitas ora­ções a Deus por aqueles que os socorreram. Essa é a única retribuição que os pobres podem dar, essa é uma grande vantagem para os ricos.


HENRY, Matthew – Comentário Novo Testamento
Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento

Bíblia de Estudo Pentecostal

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

NOTA AOS LEITORES DESSE BLOG

Gostaria de expressar minhas sinceras desculpas aos leitores, pelo fato de não postar os dois últimos comentários das lições bíblicas.

- Considerando que estou fazendo um curso de Bacharel em Teologia, precisei apresentar um trabalho na sala de aula e isso requereu de mim dedicação;

- Considerando também que trabalho tempo integral, não tive tempo suficiente para tal;

- Considerando que não tenho a menor intenção de ter algum proveito desse blog, a não ser o de contribuir, compartilhando com meus irmãos desses materiais que às vezes disponho;

Concluo esse pedido de desculpa, solicitando vossas orações, para que Deus me dê sabedoria e entendimento da sua Palavra e capacidade para continuar sendo útil. Amém.

Em Cristo,
Jean Claude

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

4ª Reportagem da série Os Evangélicos exibida no Jornal Nacional

Domingo, 31 de Maio de 2009

3ª Reportagem da série Os Evangélicos exibida no Jornal Nacional

Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

LIÇÃO 9 – A Importância da Santa Ceia

INTRODUÇÃO

O Novo Testamento demonstra que o principal objetivo da reunião da igreja primitiva era o "partir do pão", ou a "Ceia do Senhor". Isto fica claro em passagens como At 20.7 e 1Co 11.20,33. Em sua carta à igreja de Corinto, Paulo censura aos irmãos por desviarem-se do objetivo normal da assembléia, repreendendo-lhes não por reunir-se para comer a Ceia do Senhor (que era o que deviam ter feito), mas por reunir-se para comer sua própria ceia!
Nessa lição, faz-se necessário detalhar um pouco mais a leitura em classe, que se constitui em meio caminho andado para subsidiar a lição. Os versículos (17-22) que antecedem a leitura em estudo, demonstram que o apóstolo Paulo censura mais uma vez os coríntios, pelo fato de causarem desordem e escândalos em uma instituição tão sagrada como a Santa Ceia. Para corrigir essas grosserias e irregularidades, o apóstolo destaca aqui a sagrada instituição da Ceia do Senhor:

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE (1Co 11.23-32)

“...eu recebi do Senhor o que também vos ensinei...” (v.23). Paulo não estivera entre os apóstolos na primeira instituição, mas ele tinha conhecimento desse assunto por revelação de Cristo; e o que ele havia recebido ele comunicou, sem modificar nada da verdade e, sem acrescentar nem diminuir.

Nesse texto, Paulo nos dá um relato mais detalhado do que em qualquer outro lugar:

1. Do autor – nosso Senhor Jesus Cristo. Somente o Rei da igreja tem poder para instituir sacramentos.

2. Do tempo da instituição: ela ocorreu “na noite em que foi traído”, justo quando ele estava iniciando os seus sofrimentos, os quais devem ser celebrados dessa maneira.

3. Da instituição em si mesma. Nosso Salvador tomou o pão, e quando Ele deu graças, ou abençoou (conforme está em Mt 26.26), “o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.” (vv. 24-25). Observe os elementos desse sacramento:

(1) O pão e o cálice. O que é comido é chamado “pão” – embora que os papistas chamem de consagração – e, embora que seja dito ao mesmo tempo que é o corpo do Senhor, um claro argumento de que os apóstolos não conheciam nada da monstruosa e absurda doutrina da transubstanciação dos papistas. Com relação ao segundo elemento, Mateus nos fala que nosso Senhor mandou que todos bebessem dele (Mt 26.26-27), como se Ele, pela expressão, impusesse uma advertência contra o impedimento que os papistas fariam ao leigo de participar do cálice.

OBS.: Em nenhum momento é especificado que bebida era que estava dentro do cálice.

(2) As ações sacramentais. A maneira em que os elementos do sacramento devem ser usados.

a) As ações de nosso Salvador, que consistiram em tomar o pão e o cálice, dar graças, partir o pão e distribuir um e outro;

b) As ações dos comungantes, que consistiam em tomar o pão e comê-lo, tomar o cálice e beber dele, e ambas em memória de Cristo. Cada uma dessas ações tem um significado:

Nosso salvador, havendo se encarregado de realizar uma oferta de si mesmo a Deus e de obter, através de sua morte, a remissão de pecados, com todos os outros benefícios do evangelho, para os verdadeiros crentes, entregou, na instituição, seu corpo e sangue, com todos os benefícios conseguidos através de sua morte, a seus discípulos, e continua a fazer o mesmo em todo momento em que a ordenança é administrada aos verdadeiros crentes. Isto é apresentado como o alimento das almas.

(3) As finalidades dessa instituição.

a) Ela foi designada para ser realizada “em memória de Cristo”, para manter vívido em nossas mentes um favor antigo, sua morte por nós, como também para lembrar um amigo ausente, e até Cristo intercedendo por nós, em virtude de sua morte, à mão direita de Deus. O lema dessa ordenança, e o seu verdadeiro significado, é: Quando virdes isso, lembrai-vos de mim.

b) Ela deveria anunciar a morte de Cristo, declará-la e publicá-la. Não é apenas em memorial de Cristo, do que Ele fez e sofreu, que a sua ordenança foi instituída; nós declaramos a sua morte como sendo a nossa vida, a fonte de todos os nossos confortos e esperanças. Nós confessamos diante do mundo, por esse serviço verdadeiro, que somos os discípulos de Cristo, que confiamos somente nele para a salvação e aceitação diante de Deus.

(4) Ainda em relação a essa ordenança:

a) Sua celebração deve ser freqüente: “todas as vezes que comerdes este pão...”. As igrejas antigas celebravam essa ordenança a cada dia do Senhor (At 20.7), se não o faziam todos os dias em que elas se reuniam para a adoração.

b) Que ela seja perpétua. A ordenança deve ser celebrada até que venha o Senhor; até Ele vir pela segunda vez, para a salvação daqueles que crêem e para julgar o mundo. Esta é a nossa garantia por guardar essa festa.

“Portanto, qualquer que comer este pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente...” (v.27). O apóstolo apresenta o perigo de receber a ordenança indignamente, ou seja, com intenções opostas ao seu motivo, ou uma disposição mental que lhe seja completamente inadequada (como festejos e partidarismos). Em outras palavras, quem vive uma vida de pecado não pode está, ao mesmo tempo, confessando, renovando e confirmando sua aliança com Deus. Portanto, quem assim faz “será culpado do corpo e do sangue do Senhor”, de violarem essa sagrada instituição, de desprezarem seu corpo e seu sangue. Eles agem como se profanassem o sangue do testamento com que foram santificados (Hb 10.29).

“Porque o que come e bebe indignamente come e bebe para sua própria condenação...” (v.29). É um grande risco. É o mesmo que provocar a Deus e, provavelmente, atrairão punição sobre si mesmo o que assim faz. Cada pecado é condenatório em sua natureza; e, por essa razão, com certeza é assim com um pecado tão abominável como profanar uma ordenança santa.

OBS.: Vale salientar que, tanto esse pecado como todos os outros, cedem lugar ao perdão por meio do arrependimento.

“...não discernindo o corpo do Senhor”. Os coríntios vinham à mesa do Senhor como para uma festa comum, sem fazer distinção entre aquela comida e uma comida comum, colocando ambas num mesmo nível; além disso, eles usavam de muito mais indecência nessa festa sagrada do que teriam feito em uma festa comum. Isto era muito pecaminoso, e muito desagradável a Deus, e atraía o seu julgamento sobre eles:

“Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem.” (v.30). Alguns foram punidos com doenças e outros com a morte. Note que receber de maneira irreverente e sem cuidado da mesa do Senhor pode trazer punições temporais. Contudo, o texto parece sugerir que até aqueles que eram assim punidos estavam em um estado de favor de Deus, pelo menos muitos deles: eles eram julgados pelo Senhor, para não serem “condenados com o mundo” (v. 32). Então, a punição divina é um sinal do amor divino (Hb 12.6), especialmente com um propósito misericordioso, para evitar sua condenação final.

“Examine-se, pois, o homem a si mesmo...” (v.28). É o dever daqueles que vêm à mesa do Senhor, testar-se e aprovar-se a si mesmo, pelo propósito sagrado dessa santa ordenança, sua natureza e seu uso. Tal auto-exame é necessário para uma correta participação nessa santa ordenança.

“Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.” (v.31). Se nos examinássemos e explorássemos inteiramente, e nos condenássemos e corrigíssemos o que encontrássemos de impróprio, preveniríamos julgamentos divinos. Não devemos julgar os outros, para que não sejamos julgados (Mt 7.1); mas devemos julgar a nós mesmo, para evitar sermos julgados e condenados por Deus.


O QUE É A SANTA CEIA?

A Santa Ceia é uma doutrina bíblica. O apóstolo Paulo recebeu essa instrução pela revelação direta do Senhor Jesus Cristo (v. 23) e, de acordo com o registro bíblico, ele foi instruído na Arábia, onde passou três anos (Gl 1.11,12, 15-17), nesse período não há registros sobre a vida de Paulo.
A Santa Ceia é a cerimonia mais importante dentro do cristianismo, e sua importância é tão grande que o Senhor Jesus chegou a declarar:

“Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último Dia. Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele” (Jo 6.53-56).

Assim define o autor Myer Pearlman: “a Ceia do Senhor ou Comunhão é o rito distintivo da adoração cristã, instituído pelo Senhor Jesus na véspera de sua morte expiatória. Consiste na participação solene do pão e vinho, os quais, sendo apresentados ao Pai em memória do sacrifício inexaurível de Cristo, tornam-se um meio de graça pelo qual somos incentivados a uma fé mais viva e fidelidade maior a ele” (PEARLMAN, Myer - Conhecendo as Doutrinas da Bíblia, Ed. Vida).


OS PONTOS-CHAVES DA ORDENANÇA

(a) Comemoração. "Fazei isto em memória de mim." Cada ano, no dia 4 de julho, o povo norte-americano recorda de maneira especial o evento que o fez um povo livre. Cada vez que um grupo de cristãos se congrega para celebrar a Ceia do Senhor, estão comemorando, dum modo especial, a morte expiatória de Cristo que os libertou dos pecados. Por que recordar a sua morte mais do que qualquer outro evento de sua vida? Porque a sua morte foi o evento culminante de seu ministério e porque somos salvos, não meramente por sua vida e seus ensinos, embora sejam divinos, mas por seu sacrifício expiatório.

(b) Instrução. A Ceia do Senhor é uma lição objetiva que expõe os dois fundamentos do Evangelho:

1) A encarnação. Ao participar do pão, ouvimos o apóstolo João dizer: "E o Verbo se fez carne e habitou entre nos" (João 1:14); ouvimos o próprio Senhor declarar: "Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo" (João 6:33).

2) A expiação. Mas as bênçãos incluídas na encarnação nos são concedidas mediante a morte de Cristo. O pão e o vinho simbolizam dois resultados da morte: a separação do corpo e da vida, e a separação da carne e do sangue. O simbolismo do pão partido é que o Pão deve ser quebrantado na morte (Calvário) a fim de ser distribuído entre os espiritualmente famintos; o vinho derramado nos diz que o sangue de Cristo, o qual é sua vida, deve ser derramado na morte a fim de que seu poder purificador e vivificante possa ser outorgado às almas necessitadas.

(c) Inspiração. Os elementos, especialmente o vinho, nos lembram que pela fé podemos ser participantes da natureza de Cristo, isto é, ter "comunhão com ele". Ao participar do pão e do vinho da Ceia, o ato nos recorda e nos assegura que, pela fé, podemos verdadeiramente receber o Espírito de Cristo e ser o reflexo do seu caráter.

(d) Segurança. Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue"! (1 Cor. 11:25). Nos tempos antigos a forma mais solene de aliança era o pacto de sangue, que era selado ou firmado com sangue sacrificial. A aliança feita com Israel no Monte Sinai foi um pacto de sangue. Depois que Deus expôs as suas condições e o povo as aceitou, Moisés tomou uma bacia cheia de sangue sacrificial e aspergiu a metade sobre o altar do sacrifício, significando esse ato que Deus se havia comprometido a cumprir a sua parte do convênio; em seguida, ele aspergiu o resto do sangue sobre o povo, comprometendo-o, desse modo, a guardar também a sua parte do contrato (Êxo. 24:3-8). A nova aliança firmada por Jesus é um pacto de sangue. Deus aceitou o sangue de Cristo (Hb 9.14); portanto, comprometeu-se, por causa de Cristo, a perdoar e salvar a todos os que vierem a ele. O sangue de Cristo é a divina garantia de que ele ser benévolo e misericordioso para aquele que se arrepende. A nossa parte nesse contrato é crer na morte expiatória de Cristo. (Rom. 3:25,26.) Depois, então poderemos testificar que foram aspergidos com o sangue da nova aliança. (1Ped. 1:2.)

(e) Responsabilidade. Quem deve ser admitido ou excluído da Mesa do Senhor? Paulo trata da questão dos que são dignos do sacramento em 1Cor. 11:20-34. "Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber este cálice do Senhor indignamente, será culpado (uma ofensa ou pecado contra) do corpo e do sangue do Senhor." Quer isso dizer que somente aqueles que são dignos podem chegar-se à Mesa do Senhor? Então, todos nós estamos excluídos! Pois quem dentre os filhos dos homens é digno da mínima das misericórdias de Deus? Não, o apóstolo não está falando acerca da indignidade das pessoas, mas da indignidade das ações. Sendo assim, por estranho que pareça, é possível a uma pessoa indigna participar dignamente. E em certo sentido, somente aqueles que sinceramente sentem a sua indignidade estão aptos para se aproximar da Mesa; os que se justificam a si mesmos nunca serão dignos. Outrossim, nota-se que as pessoas mais profundamente espirituais são as que mais sentem a sua indignidade. Paulo descreve-se a si mesmo como o "principal dos pecadores" (1Tim. 1:15). O apóstolo nos avisa contra os atos indignos e a atitude indigna ao participar desse sacramento. Como pode alguém participar indignamente? Praticando alguma coisa que nos impeça de claramente apreciar o significado dos elementos, e de nos aproximarmos em atitude solene, meditativa e reverente. No caso dos coríntios o impedimento era sério, a saber, a embriaguez.


O PROBLEMA DA IGREJA NA CELEBRAÇÃO

O problema básico surgiu do costume de celebrar a Ceia do Senhor junto com a "Ceia da igreja" (vv.20,21). Embora não tenhamos todos os detalhes, com toda a certeza a observância da comunhão era informal. Uma vez que os cristãos não tinham edifícios usados como igreja, suas reuni­ões ocorriam freqüentemente nas casas maiores, dos ricos. Eles se reuniam "em um só lugar” (uma frase infelizmente não traduzida em algumas versões: veja também At 1.15; 2.1,44). Reuniam-se fisicamente, mas estavam espiritualmente divididos. As refeições para grandes grupos eram servidas na sala de jantar e no átrio, e os membros ricos for­neciam a maior parte da comida. O pro­blema era que cada um dos ricos tomava "antecipadamente a sua própria ceia" (1Co 11.21), deixando pouco ou nada para os pobres, que constituíam a maioria da congregação. Os ricos podiam chegar cedo; os pobres e os escravos só podiam vir a pós concluir o seu dia de trabalho. Deste modo os ricos se fartavam e alguns até se em­briagavam, enquanto os pobres perma­neciam famintos (v.21).
Os ricos falharam por não entende­rem que a comida era a "Ceia do Senhor", e não a sua própria ceia.

Paulo continua a explicar com mais detalhes por que a Ceia é realmente do Senhor. Ele argu­menta com os ricos de várias maneiras, instruindo-os a comer e beber em sua própria casa, se tiverem fome, antes do horário marcado para o jantar e a cele­bração da Ceia do Senhor na igreja, ao invés de comer sua própria ceia na reunião e deixar pouco ou nada para os outros (v.21). Por sua conduta imprópria eles "desprezavam a igreja de Deus e enver­gonhavam os que nada tinham" (v.22). Paulo está dizendo a mesma coisa de dois modos diferentes.

1) Estão mostrando desprezo pela Igreja, pela maneira como humilham os outros cren­tes; sua conduta não está sendo motivada pelo amor, mas por interesses pessoais; as ceias eram qualquer coisa, menos "ban­quetes de amor" ou "festas de caridade" (Jd 12).

2) Fracassam por não praticarem a comunhão (que significa ter união e compartilhar), que é um dos principais aspectos da Ceia do Senhor.

PAULO RECEBEU A INSTRUÇÃO DIRETAMENTE DO SENHOR SEM INTERMEDIÁRIOS

Os versos 23-26 lidam com a institui­ção da Ceia do Senhor. O que Paulo diz sobre o assunto é que aquilo que ele "re­cebeu “do Senhor”, tam­bém “ensinou” aos coríntios. Os dois verbos usados aqui demonstram uma linguagem tradicional. O sujeito "eu" é enfático - "eu mesmo". Paulo pode ter vindo a conhecer alguns fatos sobre a última Ceia por meio do relato de outros, mas sua interpretação a este respeito provavelmente tenha vindo diretamente do Senhor. Tal comunicação direta e sem intermediários com o Senhor não era lhe desconhecida (At 18.9,10; 22.18; 23.11; 27.23-25; 2Co 12.7-9; Gl 12; 2.2). Ele fala da noite em que Jesus foi traído; parece se referir principalmente à traição de Judas. Mas Paulo usa também este verbo quando diz que Jesus “por nossos peca­dos foi entregue...” (Rm 4.25) e que Deus entregou Jesus por todos nós (Rm 8.32; cf. também Gl 2.20).

- Jesus “tomou o pão; e, tendo dado gra­ças, o partiu” (vv.23-24). Lucas usa esta mesma palavra como ação de graças nos sinópticos; Mateus e Marcos usam o termo "abençoar". A diferença dos verbos não é significativa, já que a bênção judaica sobre o pão da Páscoa e sobre o vinho era uma expressão de ação de graças a Deus. A menção da ação de graças é a razão pela qual alguns cristãos preferem chamar esta observância de Eucaristia.


O PÃO E O CÁLICE

A frase "Isto é o meu corpo" (como também "Este é o meu sangue") se qualifica como uma das passagens mais vigorosa­mente debatidas em todas as Escrituras, que variam desde a interpretação dos católicos romanos de uma transubstan­ciação, até a visão de Zwinglio de que a Ceia é simplesmente uma recordação da morte de Jesus. Estas declarações devem ser entendidas metaforicamente. O pão representa o corpo de Jesus, e o cálice representa o seu sangue. Morris obser­va corretamente que o gênero do pro­nome demonstrativo "isto" no verso 24, é neutro, enquanto a palavra pão é mas­culina. Jesus, então, não poderia estar dizendo: "este pão é literalmente o meu corpo". Pode se referir à ação inteira, como o segundo isto faz neste verso (58), de acordo com a frase "fazei isto em me­mória de mim".

- Paulo então acrescenta duas declara­ções importantes a respeito de Jesus. O corpo de Jesus, representado pelo pão, é partido “por vós”. A preposição é freqüentemente usada em cone­xão com a morte sacrificial de Jesus. Seu significado básico é “em lugar de, por causa de”; Jesus morreu por nós, em nosso lu­gar. Além disso, Ele disse “fazei [continu­em fazendo] isto em memória de mim” (veja também v.26). Ao participarem da Ceia do Senhor, os crentes devem recordar o significado de sua morte e serem edificados, por fazê-lo. Mas note que Jesus disse "em memória de mim", e não "em memória de minha morte". Robertson e Plummer (246) sugerem que isto inclui o fato de lembrar-se também de sua ressurreição, implicando que o memorial deveria ser observado no primeiro dia da semana. Esta recordação é mais que um exercício in­telectual; envolve "uma percepção [expe­riência] daquilo que é lembrado" (Bruce, 111). A Páscoa judaica era uma ocasião para recordar a libertação que Deus dera a seu povo (Êx 12.12; 13.9; Dt 16.3); no­tamos novamente que Cristo, em sua morte, é a nossa Páscoa 2Co 5.7.

- Muito do que foi dito a respeito do pão aplica-se igualmente ao cálice. Mas é sig­nificativo observar que Jesus não disse "Este cálice é o meu sangue", mas, "Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue" (v.25). A doutrina da transubstanciação dificil­mente seria capaz de explicar como “este cálice” (que é na realidade uma metonúnia (metáfora/comparação), significando "o conteúdo deste cálice") pode ser literalmente transformado em uma aliança (ou Testamento) - a nova alian­ça (ou o Novo Testamento). O Antigo Testamento previu uma nova aliança que substituiria a antiga Jr 31.31-34; Ez 36.25-­27; d. Hb 8.7-13; 9.18-20). A antiga ali­ança foi instituída por meio de um sacri­fício, "o sangue do concerto" (Êx 24.5-8). Da mesma forma, a nova aliança foi inau­gurada por meio do sangue de Cristo.

Fontes:
HENRY, Matthew – Comentário Novo Testamento
PEARLMAN, Myer - Conhecendo as Doutrinas da Bíblia
Comentário Bíblico Pentecostal - Novo Testamento

2ª Reportagem da série "Os Evangélicos" exibida no Jornal Nacional

Jornal Nacional fala sobre trabalho social dos evangélicos

Para quem ainda não assistiu as reportagens do Jornal Nacional sobre o trabalho social dos evangélicos, confira no vídeo abaixo:



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Sábado, 16 de Maio de 2009

Lição 7 - Considerações Acerca do Casamento

INTRODUÇÃO

Nesta lição, o apóstolo Paulo responde dúvidas acerca do matrimônio e relacionamento familiar na igreja de Corinto. Estudaremos assuntos de fundamental importância para a igreja de nossos dias, e o antídoto contra a fornicação: o casamento. A vida conjugal, o dom do celibato, o divórcio, a viuvez e, claro, o tão discutido novo casamento. Lembre-se que, Paulo não trata diretamente da infidelidade conjugal, como Jesus tratou, mas vemos os esclarecimentos de Paulo como um complemento daquilo que Jesus disse, como que com mais detalhes.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE (1Co 7.1-5,7-11)

O apóstolo Paulo trata, nesse capítulo, de questões contidas em uma carta que recebeu da Igreja que estava em Corinto. No ca­pítulo anterior, ele os advertira a evitarem a fornicação; aqui, ele Ihes orienta sobre questões relacionadas ao casamento, o remédio que Deus estabeleceu contra a fornicação.

“...bom seria que o homem não tocasse em mulher...” (v.1), ou seja, “não tomá-la por mulher”, ou ainda, “não se casasse”, – “tocar em mulher” é uma expressão usada no A.T. para relações sexuais (Gn 20.6; Pv 6.29) – pelo menos naquela época era bom absterem-se do casamento de modo geral; mas, vale salientar que essa afirmação não deve ser entendida como a vontade absoluta de Deus, como se fazer diferente fosse pecado, um extremo no qual muitos dos antigos usaram para defender o celibato e a virgindade. Se o apóstolo estivesse se referindo neste sentido, se con­tradiria muito no resto do seu discurso. Paulo sabia que “não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18) e que o casamento é uma instituição divina.

“mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (v.2). Paulo instrui que o casamento, com os confortos e satisfações é determinado pela sabedoria divina para prevenir da fornicação. Eles deveriam casar-se, limitarem-se aos seus próprios cônjuges e, depois de casados, “o marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido” (v.3). Um considere a disposição e a exigência do outro e um conceda o dever conjugal ao outro, que é de direito de ambos. Essa afirmação é apoiada pelo próximo versículo:

“A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também, da mesma maneira, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher” (v.4). No estado do casamento nenhuma pessoa tem poder sobre o seu próprio corpo, mas o entregou ao poder do outro, isso para os dois. Note que a poligamia ou o casamento com mais de uma pessoa, tanto quanto o adultério, é uma violação do contrato de casa­mento, e uma violação dos direitos do cônjuge.

Por isso que Paulo diz: “Não vos defraudeis um ao outro...”, ou seja, não se “privem um ao outro”, tratando da expressão sexual. Em outras palavras, Paulo quer dizer que alguns já eram culpados de privar o cônjuge de uma vida sexual normal. Mas existe uma exceção permissível, mas a abstinência sexual deve ser “...por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez...” (v.5). Eles poderiam fazer isso enquanto se empenhavam em alguma tarefa extraordinária, ou para se dedicarem à oração. Podemos entender isso como uma forma de jejum, mas limitado quanto ao tempo e sempre ligado à oração.

“...para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência”. O casal não deve permitir que o adversário, Satanás, venha tentá-los a expressar o impulso sexual de uma forma que os leve a um compor­tamento pecaminoso, tendo relações ín­timas com alguém que não seja o seu cônjuge. Esta separação não deve ser contínua, para que eles não fiquem expostos às tentações, por sua incontinência (incapacidade de controlar-se, ou conter-se).

“Digo, porém, isso como que por permissão e não por mandamento” (v.6). Aqui existe um paralelo com o v.2, pois Paulo não estabeleceu que “cada um tenha a sua própria mulher”, como uma regra sobre todo homem, para que se case sem exceção. Qual­quer homem pode casar-se. Mas, por outro lado, nenhu­ma lei obriga um homem a casar, de maneira que ele pe­que se não o fizer.
Paulo não obrigou cada homem a casar, embora cada homem tivesse uma tolerância. Não, ele podia desejar "que to­dos os homens fossem como ele mesmo" (v. 7), isto é, sol­teiro, e capaz de viver castamente naquele estado. “...mas cada um tem de Deus o seu próprio dom, um de uma maneira, e outro de outra”. Embora Paulo fosse tão feliz como solteiro, talvez outros não poderiam ser tão diferentes, no que diz respeito à castidade, pois são concedidos diferentes graus da graça e alguns suportam a inclinação natural mais do que outros.
Paulo podia desejar que todos os homens fossem como ele mesmo, porém “Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido.” (Mt 19.11).

“Digo, porém, aos solteiros e às viúvas, que lhes é bom se ficarem como eu” (v.8). Aqui fica claro que Paulo não era casado, e considera o estado de solteiro ou de viuvez conveniente, ou seja, era melhor estar solteiro do que casado.

“Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se”.(v.9). Este é o remédio para a luxúria (comportamento desregrado com relação aos prazeres do sexo; lascívia). O fogo pode ser extinto pelos recursos que ele apontou. E o casamento, com todas as suas inconveniên­cias, é muito melhor do que abrasar-se (abrasar significa experimentar ou deixar-se dominar por sentimentos intensos, apaixonantes) com impureza e desejos lascivos. O casamento em tudo é honrável, mas é um dever para aqueles que não podem conter-se nem do­minar suas inclinações.

“Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido” (v.10). Em geral, ele Ihes diz que, por ordem de Cristo, o casamento é para a vida inteira; e por essa razão, aqueles que são casados não devem pensar em separação. Não que ele ordenas­se alguma coisa de sua própria cabeça, ou por sua pró­pria autoridade. Qualquer coisa que ele ordenava era mandamento do Senhor, ditado pelo Espírito e ordenado pela sua autoridade. Mas seu significado é que o Senhor mesmo, com sua própria boca, proibira tais separações (Mt 5.32; 19.9; Mc 10.11; Lc 16.18). Note que homem e mulher não podem separar-se por vontade, nem dissol­ver seus laços e relações matrimoniais quando eles qui­serem. Eles não devem separar-se por nenhum outro motivo, a não ser aquele que Cristo permite (infidelidade conjugal).

“Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher”.(v.11). E por isso o apóstolo os aconselha que se qualquer mulher tiver se separado, seja por ato voluntário seu ou por um ato de seu marido, ela deve continuar sem se casar, e buscar re­conciliação com o seu marido, para que possam coabitar novamente. Note que maridos e esposas não devem bri­gar de forma alguma, ou devem se reconciliar rapida­mente. Eles estão obrigados a viver um com o outro. A lei divina não permite nenhuma separação.

(vv. 12-15). Esses versículos não estão relacionados à leitura bíblica em classe, mas ao tópico 4.2 da lição bíblica. Nesses versículos o apóstolo aconselha que se uma esposa ou marido incrédulo quiser viver com um cônjuge cristão, o outro não deve separar-se. O marido não deve repudiar uma esposa incrédula, nem a esposa deixar um marido incrédulo. O chamado cristão não dissolvia o contrato de casa­mento, mas obrigava-o mais ainda, trazendo-o de volta à instituição original, limitando-o a duas pessoas, e obrigan­do-as a viverem a vida juntas.

DESTACAMOS ALGUNS “PONTOS” DA LIÇÃO, SÃO ELES:

1. Casar ou não casar? Tanto o matrimônio quanto o celibato são honrosos

“Bom seria que o homem não tocasse em mulher” (v.1). Isso não significa que Paulo discorda totalmente que o homem não se case, pois várias vezes no capítulo 7, ele demonstra que o estado de solteiro, ou celibatário, é preferível, mais que ao matrimônio. O celibato é um dom de Deus, mas o casamento também o é (v.7).

OBS.: Ao dar preferência ao celibato, ao estado de solteiro, Paulo diverge do pensamen­to judeu convencional. No judaísmo, o casamento para homens não era uma opção, mas uma obrigação; esperava-se que todo homem jovem se casasse.

- O celibato, ao contrário do casa­mento, deveria ser mais a exceção do que a regra. O casamento é o meio divinamente designado para dar expressão ao impul­so sexual. “O homem que escreveu Efésios 5.22, 23, 32, 33, não tinha uma visão ruim do casamento” (Robeltson e Plummer, 133).

2. A necessidade do casamento

A imoralidade sexual não era incomum no meio dos crentes coríntios: “Mas, por causa da prostituição...” (literalmente, “por causa dos atos de imoralidade”), homens e mulheres deveriam ser casados, uma vez que a relação sexual só é permissível dentro do casamento.

- Existem, por certo, outras razões para se casar, mas esta precisa ser menci­onada. O casamento é a norma; mais que isto, é um mandamento, embora possa haver exceções (v.7). Além disso, a monogamia está implícita, uma vez que Paulo diz: “cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido”. O verbo “ter” é também um referencial para relações sexuais (ou seja, cada um se relacione sexualmente com sua própria mulher e a mulher com seu próprio marido).

3. Um alerta acerca de dois extremos: “procriação e satisfação mútua”, um não é sem o outro

Procriar é a capacidade de reprodução, de multiplicar-se ou reproduzir-se, conforme o próprio Deus designou: “...multiplicai-vos, e enchei a terra...” (Gn 1.28). Já a satisfação mútua refere-se à atividade sexual propriamente dita.
Quando se casam, marido e mulher devem ter em mente as duas coisas, pois fazem parte da instituição do casamento; devem evitar, portanto, os seguintes extremos:
1) casar só por prazer sexual, apenas para alimentar um desejo que chega a ser egoísta em alguns casos, não assumindo a responsabilidade de “pai ou mãe”, não objetivando também a procriação;
2) o outro extremo é quando um casal tem relações físicas apenas para gerar filhos, alegando que essa é a única função do ato e apenas cumpre a procriação por obediência à instituição divina. O relacionamento físico é uma necessidade conjugal, tanto para procriar como para satisfação mútua, um não é sem o outro e um depende do outro.

4. Abstinência temporária

Nesse ponto, o casal deve tomar cuidado para não se estender por muito tempo, pois embora estejam de acordo, um consentindo com o outro, e tenham propósitos espirituais para realizar, a abstinência demorada pode se tornar em tragédia, pois o adversário de nossas almas não perde tempo, vive procurando oportunidade para nos tentar, por isso o apóstolo recomenda que seja acompanhado por oração e, depois, devem juntar-se imediatamente. A incontinência é a incapacidade de controlar-se ou conter-se, e o adversário pode aproveitar-se disso.

5. O dom do celibato Mt 19.12

Jesus citou três tipos de eunucos:
1) Os que já nascem desde o ventre da mãe;
2) Os que foram castrados pelos homens;
3) Os que castram a si mesmo.
E Ele complementa que é por causa do Reino dos Céus, “quem pode receber isso, que receba”, mas nem todos podem. Paulo diz que é recomendado permanecer solteiro, se a pessoa tiver o dom do celibato (v.7). “Mas, se não podem conter-se” ou, “Mas se não tiverem domínio próprio” (NRSV), são traduções mais precisas do que “se não podem se controlar” (NIV), uma vez que as palavras, “não podem” não constam do texto grego (v.9). Parece que alguns dos solteiros e viúvas estavam cedendo às suas paixões sexuais. Tais pessoas desejavam se casar (v.2), “é melhor casar do que abrasar-se” (v.9). Na NIV lemos: “do que arder nas cha­mas da paixão”. Esta interpretação pode ser correta, já que Paulo usa a mesma palavra figurativamente em outra ocasião quando fala de seus próprios sentimen­tos intensos (2Co 11.29), entretanto em um contexto que não se refere à vida sexual.
OBS.: Paulo, mais tarde, dá conselhos semelhantes às viúvas mais jovens (1Tm 5.11-15).

6. O casamento é indissolúvel (vv. 10-11)

O que Paulo ensina está em harmonia com os ensinamentos básicos de Jesus sobre a questão do divórcio e de um novo casamento (Mc 10.2-12). O apóstolo dirige-se a um casal onde ambos os cônjuges são cristãos.
A instrução de Paulo é clara: “a mulher se não aparte do marido, se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido” e “o marido não deixe a mulher”. Observe que Paulo não fez nenhuma exceção, como Jesus fez, permitindo o divórcio nos casos de infidelidade conjugal (Mt 5.32; 19.9). Observe o comentário abaixo, extraído da Enciclopédia de Dificuldades Bíblica, por Gleason Archer:

Há coerência entre 1ª Coríntios 7.12,40 e a autoridade inerrante das cartas de Paulo?

Esses dois versículos apresentam um fator diferente com respeito à autoridade apostólica de Paulo, pelo que serão tratados separadamente. No parágrafo que se inicia com o v. 8, Paulo está discutindo a ques­tão de alguém permanecer solteiro ou casar-se. Também alude às alter­nativas que os casais enfrentam, quando um é incompatível com o outro. Nos v. 10 e 11 ele cita uma expressão do Senhor Jesus, pronun­ciada no início de seu ministério (Mt 5.32; 19.3-9) pela qual marido e mu­lher não podem separar-se; em ou­tras palavras, a esposa não deve abandonar o esposo, ele não deve despedi-Ia e divorciar-se dela. (Mateus 5.32 permite o divórcio se houver infidelidade.) A seguir, 7.1 trata da questão dos casais que SE separaram: podem eles livremente: casar-se com outras pessoas? O após­tolo observa que Jesus nunca falou explicitamente sobre essa questão (ainda que as implicações de Mateus 5.32 apontem com firmeza a proibi­ção de um segundo casamento).

Seja porque ele esteja fazendo uma inferência (ainda que ela seja inevitável) do ensino de Cristo para o divórcio, ou talvez tenha recebido uma revelação explícita da vontade de Deus quanto a um tipo de tensão matrimonial, Paulo deixa bem cla­ro que o que ele está prestes a dizer não é citação dos lábios de Jesus. Portanto, assim diz ele: "Ao mais digo eu, não o Senhor". Jesus jamais discutiu o que deve ser feito a um cônjuge que se salva, enquanto o outro se opõe ao Evangelho; por isso, era necessário que Paulo fizesse uma distinção entre a proibição ex­plícita do divórcio (sobre o qual Je­sus fizera um pronunciamento cla­ro e definitivo) e uma inferência ló­gica e necessária que Paulo tirara sob a influência do Espírito Santo para a situação aflitiva dos casais em litígio (contenda).

Havia, naturalmente, muitas re­velações da parte de Deus nos es­critos inspirados de Paulo. Tais car­tas freqüentemente tratavam de assuntos sobre os quais o Senhor Jesus nunca havia discutido em seu ministério terreno. Contudo, à vis­ta de todo o ensino de Paulo ter-lhe sido entregue mediante revelações do Cristo ressurreto, pela atuação do Espírito Santo, tal ensinamento tinha o mesmo peso de autoridade das palavras do próprio Senhor Jesus, quando ministrava entre os homens. Portanto, "digo eu, não o Senhor" não implica algo que pre­judique a autoridade total da men­sagem de Paulo (nem aqui nem em passagem alguma de suas cartas); relaciona-se apenas à questão de Paulo poder ou não citar uma ex­pressão registrada por Jesus, antes de sua ressurreição e ascensão.

Quanto à 1ª Coríntios 7.40, Paulo aconselha aos que estão indecisos em relação ao casamento, e assim diz ele: "Em minha opinião, ela [i.e., a mulher que perdeu seu marido por morte] será mais feliz se permane­cer no estado em que está [i.e., em viuvez]; e julgo [dokô] que tenho o Espírito de Deus [i.e., ao exprimir esta minha opinião]". Dokô (de dokeô) tem a idéia de "julgar, achar, pensar, supor, ou ser de opinião que" (neste caso ou naquele). Não quer dizer necessariamente alguma incerteza ou dúvida da parte de quem emite sua opinião; apenas enfatiza que aquela era sua opinião pessoal, sua convicção.

No livro Casamento, Divórcio e Novo Casamento, o autor Kenneth E. Hagin, faz uma observação importante, ele diz: “Jesus está falando para os Judeus, e Paulo está falando para a Igreja”. “Observe que há três classes de pessoas tratadas na Palavra de Deus (1Co 10.32): 1) Os Judeus, o povo da aliança de Deus; 2) A Igreja, a própria família de Deus; e 3) Os Gentios, os povos pagãos (cada pessoa que não é nem igreja nem judeu).”

Não pretendo estender muito esse assunto, mas é bom notar alguns detalhes para não falarmos heresias fora do contexto aos nossos alunos. O ponto em questão já vem sendo discutido há muito tempo; estão em jogo a condição de um homem e uma mulher que se divorciam e, posteriormente, projetam um novo casamento. É bom considerar as duas passagens em questão (Mt 19 e 1Co 7), dentro de seus respectivos contextos. Vejamos:

JESUS (Mt 19)

“...chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher POR QUALQUER MOTIVO?” (v.3)
- Observe que a pergunta é dirigida a Jesus por judeus fariseus, buscando ocasião para achar alguma falha em suas palavras. Imediatamente, Jesus responde com base nas Escrituras:
“Não tendes lido que, no princípio, o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe de se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem.” (vv.4-6).
- Usando o princípio estabelecido por Deus, Jesus responde como deveria ser o casamento, ou seja, deveria ser “indissolúvel”, pois o que Deus ajuntou o homem (e mulher) não deve separar. Agora observe outra situação, os fariseus citam Moisés:
“Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la?” (v.7).
- Observe que eles se apóiam no que Moisés falou, ou seja, pela lei era lícito dar carta de divórcio e repudiar a mulher, mas Jesus com muita sabedoria reforça o que disse anteriormente e continua:
“Moisés, por causa da dureza do vosso coração, vos permitiu repudiar vossa mulher; mas, ao princípio, não foi assim.” (v.8).
- Agora Jesus usa sua autoridade, como enviado do Pai, e replica:
“Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério”. (v.9).
- Observamos que Jesus estabelece e complementa a afirmação que desde o princípio defendeu, e conclui que somente por motivo de infidelidade conjugal, é que se pode dar carta de divórcio. Entretanto, divorciar-se por qualquer outro motivo, não é permitido para ambos casar novamente. Fica claro que Jesus não tocou no assunto relativo aos que se separam por motivo de infidelidade conjugal, e falava isso para os judeus, observando a lei e os princípios estabelecidos para o matrimônio, licitamente aceitos.

PAULO (1Co 7)
“...quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher” (v.1).
- Fica claro que o apóstolo está respondendo acerca de algumas perguntas feitas pelos coríntios, e responde imediatamente que seria bom que o homem não tocasse em mulher, ou seja, não se casasse. Numa situação diferente da de Jesus, Paulo agora fala para à igreja coríntia que estava com dúvidas. Então o contexto é outro, mas o assunto é o mesmo. Vejamos:
“...por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (v.2).
- Jesus também se referiu a “prostituição”, ou “infidelidade conjugal”, porém Paulo faz uma colocação mais detalhada, cada cônjuge deve se relacionar fisicamente com quem se casou. Referindo-se aos direitos do matrimônio, a devida benevolência (bondade de ânimo para com algo ou alguém, manifestação de afeto) é o que um deve ao outro (v.3). Referindo-se a um princípio estabelecido por Deus, Paulo diz:
“A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também, da mesma maneira, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher” (v.4).
Podemos entender que “serão dois numa só carne”, por isso o domínio não é de um nem do outro, mas dos dois. Digamos que Paulo refere-se a isso nas entrelinhas de suas palavras.
- Nos versículos 5-9, o apóstolo adverte aos casais cristãos sobre o ato da abstinência para dedicação a Deus, pois é necessário atentar para algumas regras básicas, como: consentimento de ambos, não demorar muito, aplicar-se à oração e juntar-se outra vez imediatamente, para não serem tentados pelo adversário, por causa da incapacidade de conterem-se. Aproveita para referir-se ao celibato (que também foi citado por Jesus), aconselhando aos jovens e viúvas a ficarem sem casar-se, porém isso não seria um mandamento, mas de acordo com o ponto de vista de Paulo era preferível.
“Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se” (v.10).
- Como não é um mandamento, os que não têm o dom do celibato devem casar-se para não abrasar-se. O termo abrasar significa se deixar dominar por sentimentos intensos, que podem levar o indivíduo ao pecado da fornicação, por isso é melhor casar para não escandalizar a igreja do Senhor, pois o casamento é o antídoto contra fornicação.

- Agora chegamos ao ponto crucial:
“Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido. Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher”. (vv. 10-11)
- Observe os detalhes dessa afirmação do apóstolo: 1) ele fala aos casados (cristão) da igreja de Corinto, e não usa sua autoridade de apóstolo, mas o nome do Senhor. 2) a mulher e o marido não deveriam se separar, e isso está totalmente de acordo com o que Jesus falou referindo-se aos princípios estabelecido por Deus para o matrimônio, ou seja, o casamento é indissolúvel e não pode desfazer-se por qualquer motivo. Paulo está tratando de cristãos que estavam se divorciando por QUALQUER MOTIVO, e nesse caso não é permitido casar de novo, pois a lei divina “não separe o homem” foi quebrada e a punição é: “Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido”; 4) Simplesmente o apóstolo Paulo não está tratando aqui de infidelidade conjugal, mas de separação por qualquer motivo.
Mas, antes de concluir, vamos ver o que ele diz no final do capítulo:
“A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo em que o seu marido vive; mas, se falecer o seu marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor. Será, porém, mais bem-aventurada se ficar assim, segundo o meu parecer, e também eu cuido que tenho o Espírito de Deus” (vv. 39-40).
Mesmo não tratando de infidelidade conjugal, Paulo faz a observação que a mulher e o marido estão ligados pela lei, ou seja, se depender de cumprir a ordenança do matrimônio será “até que a morte os separe”.

CONCLUSÃO

A igreja de Corinto vivia numa época de total depravação moral, pois a cidade era considerada a metrópole da imoralidade sexual, a ponto de ter templos oferecidos à deusa grega Afrodite, a deusa do amor erótico sensual. Hoje é ainda pior, as oferendas de Satã entram nas casas pelas mídias (internet, tv, revistas, etc.), tentando achar ocasião para destruir a família.
Ficam então as advertências de Paulo:
1. Aos jovens e viúvas, fiquem sem casar, mas se não podem conter-se, casem-se;
2. Quem quer se abrasar, comete o pecado da fornicação então, casem-se;
3. Quem se separar por qualquer motivo que não seja infidelidade conjugal, não podem partir um novo casamento, casar de novo seria adultério, devem se reconciliar eu ficar sem casar.

Fontes:
Comentário Pentecostal do Novo Testamento
Henry, MATTHEW – Comentário Novo Testamento
Gleason Archer - Enciclopédia de Dificuldades Bíblica
Kenneth E. Hagin - Casamento, Divórcio e Novo Casamento