quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

LIÇÃO 6 - A MALDIÇÃO DO PECADO


INTRODUÇÃO

Embora o povo de Israel tenha sido vitorioso na conquista de Jericó, unânime em obedecer a Palavra de Deus, um indivíduo, deu lugar a uma doença crônica chamada pecado, trazendo turbulência à Congregação de Deus. O capítulo 7 de Josué é uma demonstração do prejuízo que o pecado individual e oculto pode trazer a toda uma sociedade. Mas, veremos que através da oração, Deus responde, revelando o oculto e punindo os culpados.

O PECADO DE UM AFETOU A TODOS

Quando as buzinas tocaram pela sétima vez, e o povo gritou e as muralhas de Jericó caíram, veio a ordem: “Tão-somente guardai-vos do anátema, para que não vos metais em anátema tomando dela, e assim façais maldito o arraial de Israel” (Js 6.18). Essa determinação seria um cumprimento da ordenança divina em Deuteronômio 7.1-2,26, que diz: “Quando o SENHOR, teu Deus, te tiver introduzido na terra, a qual passas a possuir, [...] para as ferir, totalmente as destruirás; não farás com elas concerto, nem terás piedade delas;”, “Não meterás, pois, abominação em tua casa, para que não sejas anátema...”. Josué sabia que isso era uma ordem divina e deveria ser cumprida. Mas um homem chamado Acã, cobiçou os despojos de Jericó, tomando para si uma parte, escondendo-a em sua tenda, descumprindo o que foi dito: “a prata e o ouro que estão sobre elas não cobiçarás, nem os tomarás para ti, para que te não enlaces neles” (Dt 7.25). Josué disse que se alguém tomasse do anátema, afetaria todo o arraial de Israel (Js 6.18).

O significado de anátema

A palavra anátema tem o sentido de “oferta votiva” ou “dedicar”. Era na Grécia Antiga, uma oferta composta tanto de frutas, verduras e até armas, estátuas, etc., com o objetivo de agradecer a uma divindade, uma vitória ou evento favorável.

Aplicando o sentido ao texto da Lição

Quando o relato bíblico diz “tomou do anátema” (v. 1), significa que Acã, pegou a “oferta” (ouro, prata, etc.) que era dedicada ao Senhor, tomando-a para si, então “a ira do SENHOR se acendeu contra os filhos de Israel”, pois todos estavam proibidos de cobiçar (pensamento oculto), e muito menos de pegar (prática do pensamento), confira Js 6.18-19.

Em outras palavras, quando o povo conquistasse uma cidade, os objetos de valor deveriam ser consagrados ao Senhor, o ouro, a prata, os vasos de ferro e de metal, etc., seriam destinados à Casa do Senhor, de forma que ninguém poderia desejá-los, muito menos apoderar-se deles. Se alguém se apropriasse de algum objeto do que era consagrado, tornar-se-ia em “maldição” para todo o povo.

QUEM ERA ESSE ACÃ?

Seu nome significa “perturbador”. Era um israelita da tribo de Judá, filho de Carmi. Quando Acã viu uma capa babilônica, duzentos ciclos de prata e uma cunha de outro do peso de cinqüenta ciclos, cobiçou-os e tomou-os, escondendo-os em sua tenda (Js 7.21). Sua avareza e ambição trouxeram graves conseqüências à sua família e ao povo de Israel.

QUAL FOI O PECADO DE ACÃ?

Após conquistar Jericó, o povo de Israel se preparava para a próxima batalha. A cidade de Ai era menor e menos poderosa. De acordo com o relato dos espias enviados, não era necessário convocar todo o povo para batalhar contra Ai. Subiram à batalha uns três mil homens, porém, no confronto, os filhos de Israel fugiram de diante dos homens de Ai. Nessa perseguição, foram feridos uns trinta e seis israelitas. Essa notícia deixou o povo temeroso de tal modo que Josué rasgou suas vestes e se prostrou com o rosto tem terra perante a arca do Senhor até à tarde. (Js 7.3-6).

“Ah! Senhor JEOVÁ! Por que...” (v. 7a), era a pergunta de Josué. Até então, ele não sabia do acontecido. Mas Deus ouve o lamento de Josué e lhe dirige essas palavras: “Levanta-te! Por que estás prostrado assim sobre o teu rosto? Israel pecou, e até transgrediram o meu concerto que lhes tinha ordenado, e até tomaram do anátema, e também furtaram, e também mentiram, e até debaixo da sua bagagem o puseram.” (v. 10-11). Esse era o motivo de Israel não poder subsistir perante seus inimigos, estavam amaldiçoados, tinha anátema no meio do povo. Através da ordem divina, Josué santifica o povo e prepara-o para o dia seguinte. Ainda de madrugada, provavelmente foi lançada sorte, e a sorte caiu na tribo de Judá, da qual Josué tomou a família de Zerá, depois casa por casa, homem por homem até chegar em Acã. Então disse Josué, “Filho meu, dá, peço-te, glória ao SENHOR, Deus de Israel, e faze confissão perante ele; e declara-me agora o que fizeste...” (v. 19). Disse Acã a Josué: “Verdadeiramente pequei contra o SENHOR... quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata e, uma cunha de ouro do peso de cinqüenta siclos, cobicei-os e tomei-os; e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata, debaixo dela” (v. 21).

O pecado de Acã é o mesmo de milhares de pessoas que se consideram filhos de Deus hoje em dia: GANÂNCIA e COBIÇA. Por causa do pecado oculto de Acã, o povo estava pagando as conseqüências. Muitos tentam esconder pecado com a religião, mas não adianta, com pecado não se brinca de esconde-esconde.

O QUE É PECADO AFINAL?

Pecado é qualquer falta de conformidade com, ou transgressão de, qualquer lei de Deus, dada como regra à criatura racional. Essa definição é confirmada pela Escritura (1Jo 3.4; Gl 3.10,12; Tg 2.8-12; Rm 7.7-13). Somos seres racionais, e se sabemos distinguir o que é certo e errado, devemos agir de conformidade com o que é certo. Deixar de fazer o que a lei manda é pecado tanto quanto fazer o que ela proíbe.

O pecado de Acã era oculto, tanto no sentido de ele ter escondido os objetos em sua tenda, quanto no sentido de ocultar isso em seu coração. Quando confessou era tarde de mais, sua pena já estava decretada, de modo que ele, toda sua família, todo o seu gado e pertences, foram queimados, e apedrejados. (v. 25).

Se temos pecado e não o eliminarmos das nossas vidas, também sofreremos com a conseqüência do pecado. Se você esconde o pecado, toda a sua família sofre. Seus pais, seu cônjuge, seus filhos, seus amigos, a igreja e também toda a sociedade. E é melhor que seja descoberto aqui durante as nossas vidas para que seja castigado e corrigido e não lá na eternidade: “Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido” (Lc 12.2).

ILUSTRAÇÃO: “O homem recebeu o 'pecadão' na sua porta e o expulsou. Veio então o 'pecado' e foi rejeitado da mesma maneira. Chegou por último, o 'pecadinho' e entrou por baixo das pernas do homem, ele viu um vulto mas, porque estava cansado, não se importou. Quando anoiteceu, o 'pecadinho' saiu do esconderijo, abriu a porta e chamou: 'Pecadão, pecado, venham, ele já dormiu'".

OBS.: “Da mesma forma que a essência da santidade é amar a Deus, a essência do pecado é amar o próprio ego”. Quando colocamos o amor próprio acima dos interesses de Deus, praticamos o EGOÍSMO, que é a essência do pecado. O apóstolo Paulo diz que Jesus “morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2Co 5.15).

A LIÇÃO DO PECADO DE ACÃ

O pecado de Acã tornou-se coletivo, pois por causa do seu erro o povo estava amaldiçoado. Algo deveria ser feito imediatamente, pois se esse pecado não fosse interrompido, poderiam vir conseqüências maiores. Não dava mais para brincar de ocultar pecado. Josué sabia o que tinha de fazer e o fez naquele mesmo dia.

Assim como Josué, precisamos ser guiados por Deus para fazer a vontade de Deus. Assim como ele, prostremos o rosto em terra e choremos perante Deus para que possamos descobrir qual o problema que não nos deixa progredir. Precisamos identificar o pecado e eliminá-lo antes que ele nos elimine por seu rápido contágio. A igreja é um corpo de muitos membros, do qual Cristo é a cabeça. Quando um dos membros padece, todo o corpo padece (1Co 12.26).

O QUE SIGNIFICA A PASSAGEM DE ROMANOS 5.17-19

Um dos objetivos da lição é explicar esse texto, mas precisamos do contexto. Vemos um paralelo entre a transmissão do pecado e da morte pelo primeiro Adão e da justiça e da vida pelo segundo Adão. Encontramos a expressão “...por um homem entrou o pecado” (Rm 5.12). Vemos um mundo cheio de pecado e morte, cheio de iniqüidades e repleto de calamidades. Então, vale a pena perguntar qual fonte que o alimenta? E a resposta é: a corrupção geral da natureza; e por qual brecha ele entrou? Você descobrirá que foi o primeiro pecado de Adão. Quando Deus disse que tudo era muito bom (Gn 1.31) não havia pecado no mundo; foi quando Adão comeu do fruto proibido que o pecado entrou no mundo. Então foi através de Adão que o pecado entrou no mundo, pois todos nós pecamos nele. Como está escrito em 1Co 15.22 “...todos morrem em Adão”, também aqui nele “...todos pecaram”. Por isso, pecando Adão e caindo, a natureza tornou-se culpada e corrupta e foi assim propagada.
Observe que “...a morte reinou...”, (Rm 5.14), a morte é descrita como um príncipe poderoso, e de sua monarquia como sendo a mais absoluta, universal e permanente. Ninguém está isento dela (da morte); é uma monarquia que sobreviverá a todo poder, autoridade e governo terrenos, pois é o último inimigo (1Co 15.26). Agora, podemos agradecer a Adão por isso, o pecado e a morte vêm dele. Lembre-se que “o salário do pecado é a morte...” (Rm 6.23).
Agora nos versículos 18-19, diz: “pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores” e “veio o juízo sobre todos os homens para condenação”. Observe que o pecado de Adão foi a DESOBEDIÊNCIA, desobediência a uma ordem simples e clara; e era uma ordem de teste. Embora parecesse insignificante, o que ele fez era mau, porque era proibido, e isso abriu a porta para outros pecados. Quem pensaria que havia tanta maldade no pecado? Pelo pecado de Adão, toda a humanidade está sob uma sentença, um julgamento feito e registrado contra nós no tribunal do céu; e, se ele não for anulado, provavelmente devemos afundar debaixo dele pela eternidade.
Da mesma maneira, “...por um só ato de justiça [...] e pela obediência de um (que é Jesus Cristo, o segundo Adão), muitos serão feitos justos”, e dessa forma, “...veio a graça sobre todos os homens...”. É nítido como o apóstolo aponta para essa verdade, e sempre a repete, como uma verdade de grandíssima conseqüência. A natureza da retidão de Cristo é representada pela sua OBEDIÊNCIA. A desobediência do primeiro Adão nos arruinou, a obediência do segundo Adão nos salva – sua obediência consistia em cumprir toda a justiça e, assim, fazer de sua alma uma oferta pelo pecado. Pela sua obediência, Jesus satisfez a justiça de Deus e, assim abriu caminho para nós até o favor de Deus. Qual é então o fruto da obediência? “...veio a graça sobre todos os homens...”, isto é, se realiza e é oferecida indiscriminadamente a todos. A salvação realizada é uma salvação universal; a oferta é geral, a dádiva, gratuita; qualquer um pode vir e beber dessa água da vida. Essa graça é para todos os crentes, pela sua fé, “para justificação de vida”. Não é apenas uma justificação que livra da morte, mas que dá direito à vida. Observe que “...muitos serão feitos justos” – todos que pertencerem à eleição da graça. Enfim, a nossa ruína por intermédio de Adão e a nossa restauração por intermédio de Cristo, é suficientemente óbvia, pois a transmissão da graça e do amor por intermédio de Cristo ultrapassa a transmissão da culpa e da ira por intermédio de Adão.

CONCLUSÃO

Em Josué 22.20, encontramos uma referência sobre Acã, no que se refere ao seu pecado, e de como a ira do Senhor se acendeu sobre toda a congregação. Mas ali diz que ele não morreu só na sua iniqüidade, ou seja, por causa do seu pecado, toda sua família foi apedrejada. Concluímos que o salário do pecado é a morte, pois em Adão todos pecaram e receberam a morte como pagamento; mas pelo sacrifício de Cristo, o segundo Adão, todos somos justificados diante de Deus, e recebemos o direito à vida! Oremos e vigiemos, para não cairmos em tentação, porque o dia está próximo, Canaã é logo ali.

Palestras em Teologia Sistemática – Henry Clarence Thiessen
Comentário Bíblico do Novo Testamento – Mattew Henry

Um comentário:

René Montarroyos disse...

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