quarta-feira, 29 de outubro de 2008

As Testemunhas de Jeová e o seu ETERNO DILEMA (Jr 29.9)


Faz alguns meses que li o livro “Crise de Consciência”, por Raymond Franz, ex-membro do Corpo Governante das Testemunhas de Jeová, e fiquei maravilhado com a forma extraordinária e incomparável que ele se dirige à sua ex-religião, com o amor e respeito que demonstrou. Nunca tinha visto algum livro com aquele conteúdo. Com certeza, já deve ter mudado a vida de muitas TJ’s.

Recentemente, estou lendo outra obra dele: “Em Busca da Liberdade Cristã”, no momento em que digito essas linhas, acabado de ler o capítulo 2. Confesso que não consegui conter-me, já estou publicando esse capítulo, para que tenhamos conhecimento de alguns depoimentos feitos por importantes membros, como: Fred Franz (então vice-presidente da organização), Hayden C. Covington (conselheiro jurídico da Sociedade) e Grant Suiter (secretário-tesoureiro), todos representando a Sede como testemunhas na aprovação duma Testemunha de Jeová que era superintendente presidente numa congregação da Escócia e reivindicava a condição de ministro religioso, num julgamento conhecido como “caso Walsh”, em 1954.

Ao todo são 20 páginas desse capítulo, mas vou colocar apenas uma parte do primeiro depoimento.

Qualquer que se interessar em baixar os dois livros, é só clicar em seus respectivos títulos acima.

SEGUE:

Posso garantir que a organização Torre de Vigia encara com a maior seriedade a posição que afirma ter como único canal de comunicação de Deus na terra. Talvez algumas das afirmações mais claras feitas por representantes da organização quanto ao resultado para os que rejeitam sua mensagem tenham surgido num julgamento ocorrido na Escócia, em 1954. Ficou conhecido como “caso Walsh,” e tratava duma Testemunha de Jeová que era superintendente presidente numa congregação da Escócia e reivindicava a condição de ministro religioso. Recordo de, anos atrás, ter escutado pessoalmente meu tio (mais tarde presidente da Torre de Vigia) falar de sua participação nesse julgamento, mas foi só ao ver o registro final do tribunal, em data recente, que me dei conta de tudo que foi incluído nesse depoimento.

Com permissão do guardião de arquivos da Escócia, apresento aqui alguns trechos dos autos do depoimento. Como se pode observar, Fred Franz, então vice-presidente da organização, foi o primeiro no banco das testemunhas, e os autos do tribunal incluem esta informação, com alguns trechos que sublinhei (“P” representa a pergunta feita, “R” a resposta dada):

P. Além destas publicações regulares vocês produzem e publicam vários panfletos e livros teológicos periodica-mente? R. Sim. P. Poderia dizer-me: são estas publicações teológicas e os periódicos quinzenais usados para consideração de declarações doutrinárias? R. Sim.

R. São estas declarações doutrinárias compulsórias dentro da Sociedade? R. Sim. P. É a aceitação delas questão de opção ou é obrigatória para todos que são e desejam continuar a ser membros da Sociedade? R. É obrigatória.

Segundo este depoimento, todo aquele que quiser continuar a ser Testemunha de Jeová não tem alternativa nem opção senão aceitar as declarações publicadas da Sociedade Torre de Vigia, pela qual Fred Franz falava como representante. A aceitação é “obrigatória.” As conseqüências são indicadas mais adiante no depoimento dele:

P. Quer dizer então que, efetivamente, existirá na terra uma nova sociedade humana em resultado disso? R. Sim. Haverá uma sociedade do novo mundo numa nova terra, sob novos céus, tendo os céus e terras anteriores já passado, após a batalha do Armagedom. P. Então a população desta nova terra consistirá apenas de Testemunhas de Jeová? P. Inicialmente consistirá apenas de Testemunhas de Jeová. Os membros do restante esperam sobreviver a essa batalha do Armagedom, bem como uma grande multidão destas outras ovelhas. A permanência do restante sobre a terra após a batalha do Armagedom será temporária, pois eles devem primeiro terminar sua carreira terrestre, fiéis na morte, mas as outras ovelhas, por meio da contínua obediência a Deus, poderão continuar a viver na terra para sempre.

A aceitação, portanto, torna-se uma questão de vida ou morte, pois os que sobreviverem ao Armagedom consistirão “apenas de Testemunhas de Jeová.” Que dizer do caso em que o membro de uma congregação rejeita certo ensino da organização por acreditar conscienciosamente que lhe falta apoio das Escrituras, e, como resultado, é depois desassociado? Qual é a postura oficial para com as pessoas desassociadas que não obtêm readmissão? Esta postura é explicitada conforme segue no depoimento:

P. E são estes poderes disciplinares de fato exercidos quando surge a ocasião? R. Sim, são. P. Bem, não vou mais fazer-lhe perguntas sobre este aspecto da questão, mas há transgressões tidas como graves o bastante para merecer a expulsão sem esperança de readmissão? R. Sim. O fato é que a excomunhão em si mesma pode levar à aniquilação do excomungado, se esse indivíduo jamais se arrepender e corrigir o seu pecado, e continuar fora da organização. Não haveria para ele esperança alguma de vida no novo mundo, mas existe um proceder que resultaria em excomunhão, da qual pode-se ter certeza que o indivíduo jamais retornará, e este é chamado de pecado contra o Espírito Santo.

O advogado do governo britânico dirigiu depois a atenção para certos ensinos que a organização Torre de Vigia tinha com o tempo rejeitado, inclusive os que envolviam certas datas específicas. O que dizer de alguém que, na época em que o ensino foi estabelecido percebesse o erro e em conseqüência não o aceitasse? Que atitude teria a organização para com esta pessoa? Eis o que revela o depoimento:

P. Não é verdade que o Pastor Russell pôs essa data em 1874? R. Não. P. Não é verdade que ele fixou essa data anterior a 1914? R. Sim. P. Que data ele fixou? R. O fim dos tempos dos gentios ele fixou para 1914.

P. Ele não fixou 1874 como uma outra data crucial?

R. 1874 era entendida como a data da Segunda Vinda de Jesus em sentido espiritual. P. O senhor disse 'era entendida'? R. Isso mesmo. P. Isto foi publicado como um fato a ser aceito por todos os que eram Testemunhas de Jeová? R. Sim. P. E isto não é mais aceito, é?

R. Não. P. O Pastor Russell tirou essa conclusão de uma interpretação do livro de Daniel, não foi? R. Em parte. P. E particularmente de Daniel, capítulo 7, versículo 7, e Daniel, capítulo 12, versículo 12? R. Daniel 7,7 e 12,12. O que o senhor disse, que ele baseou alguma coisa nestes textos? P. A data dele de 1874 como data crucial e data da Segunda Vinda de Cristo? R. Não. P. Como o senhor disse que ele a fixou; entendi que o senhor disse isso, será que entendi mal? R. Ele não baseou 1874 nestes textos. P. Ele se baseou nestes textos, acoplados ao conceito de que a monarquía austro-gótica ocorreu em 539? R. Sim. 539 era uma data que ele utilizava no cálculo. Mas 1874 não se baseava nisto. P. Mas era um cálculo que já não é mais aceito pela diretoria da Sociedade? R. Correto. P. Já que estou correto, estou simplesmente curioso para apurar minuciosamente esta posição: tornou-se obrigação das Testemunhas de Jeová aceitar este cálculo errado?

R. Sim. P. De modo que aquilo que hoje é publicado como verdade pela Sociedade pode ter de ser considerado errado alguns anos depois? R. Temos de esperar para ver.

P. E enquanto isso a comunidade das Testemunhas de Jeová fica seguindo um erro? R. Elas ficam seguindo uma interpretação errada das Escrituras. P. Um erro? R. Sim, um erro.

De novo entrou em discussão o grau da autoridade atribuída às publicações da Sociedade Torre de Vigia. Embora, num certo ponto, o vice-presidente tenha dito que “a pessoa não tem de aceitar compulsoriamente,” o depoimento dele daí em diante reverte à posição anterior, conforme vemos:

R. A fim de tornar-se ministro ordenado da congregação ele deve obter entendimento das coisas contidas nesses livros. P. Mas, então, não é o batismo a ordenação da pessoa como ministro religioso? R. Sim. P. Sendo assim, para o batismo, ele tem de conhecer esses livros? R. Ele tem de entender os propósitos de Deus explicados nesses livros. P. Explicados nesses livros e explicados como interpretação da Bíblia? R. Estes livros oferecem uma interpretação de toda a Escritura. P. Mas, é esta exposição compulsória? R. A Bíblia e as declarações relacionadas com ela são analisadas, e o indivíduo examina as declarações e depois as Escrituras para ver que elas são apoiadas biblicamente. P. Ele o quê?

R. Ele examina as Escrituras para ver se as declarações têm apoio nas Escrituras. Como disse o apóstolo: "Examinai todas as coisas; apegai-vos ao que é bom." R. Entendi qual é a posição - corrija-me, por favor, se eu estiver errado - um membro das Testemunhas de Jeová deve aceitar como verdade os textos e interpretações que lhe são dados nos livros a que me referi? R. Mas ele não o faz compulsoriamente, ele tem seu direito cristão de examinar as Escrituras para confirmar que isto é biblicamente fundamentado. P. E se ele achar que as Escrituras não concordam com os livros ou vice-versa, o que ele faz? R. Os textos bíblicos estão lá, em apoio às declarações, é para isto que são colocados lá. P. O que faz um homem se ele achar desarmonia entre as Escrituras e esses livros? R. É preciso que o senhor nos apresente um homem que ache isso, para que eu possa responder, ou ele. P. O senhor quis dizer que o membro individual tem o direito de ler os livros e a Bíblia e formar sua própria opinião quanto à interpretação adequada dos Escritos Sagrados? R. Ele passa a - - -

P. Poderia dizer sim ou não, e depois explicar? R. Não. Quer que explique agora? P. Sim, por gentileza. R. O texto bíblico está lá em apoio às declarações, e portanto, o indivíduo quando olha para o texto e daí verifica a declaração, ele passa então a ter o ponto de vista bíblico do assunto, o entendimento bíblico, conforme escrito em Atos, capítulo 17, versículo 11, que os bereanos eram mais nobres que os de Tessalônica, no aspecto de que recebiam a Palavra com a maior prontidão, e pesquisavam as Escrituras para ver se aquelas coisas eram assim, e nós orientamos a seguir esse nobre proceder dos bereanos, de pesquisar as Escrituras para ver se estas coisas são assim. P. Uma Testemunha não tem alternativa senão aceitar como compulsórias e obedecer as instruções publicadas em ''A Sentinela'' ou no ''Informante'' ou na ''Despertai'', não é? R. Ele tem de aceitá-las. P. Há alguma esperança de salvação para o homem que depende apenas de sua Bíblia, quando em sua situação no mundo não é possível obter os tratados e publicações da Sociedade? R. Ele estará dependente da Bíblia.

P. Será ele capaz de interpretá-la corretamente?

P. Não. P. Não pretendo ficar trocando textos bíblicos com o senhor, mas não disse Jesus, ''Aquele que crê em mim, viverá, e aquele que crer em mim jamais morrerá''?

R. Sim.

O depoimento da testemunha, pois, é de que a mensagem que a Sociedade Torre de Vigia publica, como canal de Deus, é o único meio pelo qual as pessoas da terra, no século atual, podem obter entendimento das Escrituras. Deixar de aceitar o conteúdo destas publicações significa incorrer no desfavor divino, a própria morte.

Este, contudo, foi o depoimento de um único homem, Fred Franz, o vice-presidente. Houve dois outros representantes oficiais da sede da organização que foram à Escócia para depor.

Fontes usadas pelo autor no capítulo completo:

1 Bispo Benjamin Hoadley, citado na Enciclopédia McClintock e Strong de Literatura Bíblica, Teológica e Eclesiástica (em inglês), Vol. 1, páginas 553, 554.

2 João 8:32.

3 Veja Crise de Consciência, páginas ___-___, ___-___, ___-___, com respeito aos anos de 1874 e 1925 mencionados no depoimento do tribunal.

4 Provérbios 20:23.

5 Mateus 7:2.

6 Confira este último parágrafo em A Sentinela de 15 de agosto de 1964, páginas 511, 512.

7 O nome original da corporação era Sociedade Torre de Vigia de Tratados de Sião.

8 Edição de 1o de novembro de 1946 (em inglês), página 330.

9 Conforme se observa em Crise de Consciência (página ___, nota de rodapé 15), Karl Klein, membro do Corpo Governante, referiu-se a Fred Franz, em algumas reuniões do Corpo como o “oráculo” da organização.

2 comentários:

Pr. Siuman de Almeida disse...

Olá varao, homem de Deus.
Que a paz do Senhor Jesus seja sobre ti e todos os teus.
estive vendo seus comentários, e muito me agradou sobre os Tj's, tentei fazer o download dos livros do ex-Tj Raymond Franz mas nao consegui.
Se puder enviá-los para mim ficaria muito grato:
siumandealmeida@msn.com

Que Deus o abençoe!

lando disse...

mas o livro tbm fala da liberdade religiosa que vossa organização as igrejas em geral sao estao a tirar a liberdade dos membros embora ele fale das TJ ele deixa bem claro e eoutras igrejas e organização estao nomesmo barco entao sendo assim vcs sao hipocritas , de quererem achar so erro nas TJ , sedno que a igreja e organizações de vcs estao no mesmo antro viu de autoridades abusivas