segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Deus ainda opera milagre! Testemunho de minha esposa Denize

"E Jesus disse-lhe: Se tu podes crer; tudo é possível ao que crê" (Marcos 9.23).

Para edificação de todos os leitores, passo a publicar o testemunho resumido de um milagre que aconteceu na vida de minha esposa, semana passada.
No dia 18/01/10, às 00h15, minha esposa, com 5 meses e 2 semanas de gestação, começou a sentir uma dor muito forte no lado esquerdo da barriga.
Sem demora a levei para a Maternidade Professor Arnaldo Marques, onde ela foi atendida e medicada. Às 9h, ela recebeu alta e voltamos para casa.
No outro dia (19/01, terça-feira), assim que acordamos, as dores voltaram. Rapidamente a levei para o IMIP, onde ela fazia seu pré-natal. Chegando lá, ela foi levada para fazer um ultra-som de emergência, e foi detectado uma pedra do rim, medindo 0,9 milímetros, que caiu e ficou alojada entre a bexiga e o fígado. Segundo ela, as dores eram mais fortes que as contrações que sentiu para ter nosso primeiro filho.
Precisava-se de um médico especialista na área, para decidir o que fazer, pois era um caso diferenciado, e tínhamos que esperar ele vir avaliar a situação.
Passaram-se três dias e nada do tal médico aparecer. Enquanto isso, a igreja estava mobilizada, e os irmãos orando. Lembro-me que na quinta-feira, eu me ajoelhei com meu filho Jônatas, que tem 3 anos e 9 meses de idade, e oramos pedindo a Deus que operasse destruindo aquela pedra.
Na sexta-feira, o médico apareceu, avaliou o laudo e disse que minha esposa precisava se submeter a uma cirurgia simples, na bexiga, para retirar a pedra. Pediu que a mesma não comesse a partir das 23h, pois no sábado pela manhã ele iria proceder com a cirurgia.
Na tarde da sexta-feira, visitamos minha esposa, e depois que saímos, ela disse que foi ao banheiro, e ficou muito angustiada, pois não queria ser operada, pois temia acontecer alguma coisa com a criança. E orou ao Senhor pedindo que ele destruísse aquela pedra para ela não precisar se submeter à cirurgia. Mas entregou ao Senhor e, confiante, voltou alegre em saber que o Deus que pode tudo tomaria a frente daquele simples problema para Ele.
Às 18h, aproximadamente, ele foi chamada para um novo ultra-som de emergência, e ao chegar à sala, o médico inicia a procura pela pedra, mas sem sucesso, pois a pedra não estava mais lá! Ele disse que não dava alta a minha esposa porque só o especialista é quem poderia fazer tal coisa, mas que não tinha mais nenhuma pedra.
No sábado (23/01), o médico chega preparado para a cirurgia, chama a paciente Denize e, ao verificar o novo ultra-som, diz: “Mãe, eu não vou poder lhe operar, pois a pedra não está mais aqui”.
Minha esposa disse: “Dr., Deus destruiu a pedra”.
O médico replicou: “Deus não precisa destruir essa pedra, você a expeliu pela urina”.
Mas minha esposa disse: “Dr., eu não expeli, ela não caiu, eu não sentir nada”.
A enfermeira (que era cristã) se intromete e diz: “Dr. se a pedra estava aí, e agora não está mais e, ela não sentiu nem viu a pedra cair, como é que pode?”.
E o médico ficou calado, pois não se pode negar que foi um milagre divino!
DEUS OPEROU ANTES DO MÉDICO, SEM DEIXAR CICATRIZ, PARA CONFUNDIR A MEDICINA E MOSTRA AO SEU POVO QUE ELE AINDA OUVE AS ORAÇÕES FEITAS COM FÉ.

LIÇÃO 4 – A GLÓRIA DAS DUAS ALIANÇAS

Por motivo superior, conforme descrito acima , apenas estou publicando a Leitura Bíblica em Classe.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE (2Co 3.1-11)

“Porventura, começamos outra vez a louvar-nos a nós mesmos? Ou necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós ou de recomendação de vós?” (v.1). A resposta é “NÃO” para as duas perguntas. O apóstolo Paulo não tinha a intenção de vangloriar-se e deixa claro não precisava nem desejava qualquer elogio verbal deles, nem cartas de recomendação, como alguns faziam, referindo-se aos apóstolos e mestres falsos. Apesar de alguns desprezar Paulo, seu ministério foi notável entre eles.

OBS.: A igreja primitiva adotou a prática de escrever cartas de recomendações para apresentar alguém e testemunhar sobre seu bom caráter, bem como para fornecer proteção contra charlatões. Paulo não rejeita a prática de escrever tais cartas, pois nesta mesma que estamos estudamos ele recomenda Tito e seus companheiros (8.22-24).

“Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações...” (v.2). Essa era a recomendação que mais dava prazer a Paulo; a mais preciosa para ele, pois eles estavam escritos em seu coração. Paulo refere-se a isso em tempo oportuno, pois podia ser “conhecida e lida por todos os homens”. Essa carta não era escrita exteriormente em pergaminho, mas interiormente, em corações humanos, em vidas transformadas pela graça de Cristo operando através do ministério do apóstolo.

“porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós e escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração” (v.3). O apóstolo diz que os coríntios eram a carta de Cristo, que não é igual aos Dez Mandamentos escritos em frias e inanimadas tábuas de pedra (Ex 31.18; 32.15-16), mas permanente e escrita em corações calorosos (Jr 31.33; 32.38-40). A lei de Cristo foi escrita nos corações daqueles irmãos, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, como a lei dada por Deus a Moisés, mas nas tábuas do coração de carne renovado pela graça divina, conforme a promessa (Ez 36.26).

“E é por Cristo que temos tal confiança em Deus...” (v.4). A esperança que Paulo tinha em relação aos coríntios era que o coração deles seria como a arca do concerto, contendo as tábuas da lei e do evangelho, escritos com o dedo de Deus, isto é, o Espírito do Deus vivo.

“...não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus” (.v 5). Paulo dispensa a idéia de querer qualquer elogio para si mesmo e atribui toda a glória a Deus, ou seja, toda a capacidade de Paulo provinha de Deus. Isto não significa que Paulo não tinha algum talento, muito pelo contrário, Paulo era especialmente qualificado e habilitado para cumprir seu chamado como “apóstolo para os gentios”, mas ele declara que era totalmente incapaz de transformar as pessoas espiritualmente, pois a obra da regeneração pertence exclusivamente a Deus.

“o qual nos fez também capazes de ser ministros dum Novo Testamento...” (v.6). Paulo, ao avaliar a si e a seus companheiros, declara que são ministros dum Novo Testamento, isto em resposta às acusações dos falsos mestres, que exaltavam grandemente a lei de Deus.

“...não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata, e o Espírito vivifica”. Paulo diferencia a letra do Espírito, mesmo no Novo Testamento. Como ministros, eles além de serem capazes de ler a palavra escrita e pregar a letra do Evangelho, também eram ministros do Espírito.

OBS.: A diferença entre a antiga e a nova aliança está na frase “não da letra, mas do Espírito”. Deus estabeleceu Israel como seu povo e entrou em uma aliança com eles no Monte Sinai (Ex 19.1). As responsabilidades sob aquela aliança foram expressas em um código de leis escritas (Ex 19 – 24; Lv 11 – 27; Nm 27 – 30). Após a rebelião de Israel em Cades Bernéia (Nm 13.1 – 20.13) e quarenta anos de disciplina no deserto (Dt 1.6 – 4.43), uma nova geração renovou e ratificou aquela aliança original (Dt 27 – 30).
Os livros bíblicos históricos revelam uma sucessão de rebeliões e crescente incredulidade, que foi resumida por Jeremias de que apesar do cuidado amoroso, proteção e provisão de Deus, Israel falhou em obedecer aos termos da lei da aliança de Deus (Jr 31.32). A nova aliança, porém, contém a extraordinária promessa de que Deus realizará uma obra interna nos corações do seu povo (Jr 31.33; Ez 36.26-27). Portanto, enquanto a primeira aliança foi baseada em uma carta contratual (Ex 24.1-7), a segunda é baseada na presença e no poder do Espírito Santo que habita em nós.

“E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória, como não será de maior glória o ministério do Espírito? Porque, se o ministério da condenação foi glorioso, muito mais excederá em glória o ministério da justiça.” (vv. 7-9). A dispensação do Antigo Testamento era o “ministério da morte”, enquanto a do Novo Testamento é o ministério da vida. O Evangelho é mais glorioso do que a lei; mesmo assim existia glória na lei, testemunhando o brilho da face de Moisés quando voltou do monte com as tábuas em sua mão, que refletia os raios do brilho do seu rosto. A lei era o ministério da condenação, porque condenava e amaldiçoava todo aquele que não fazia tudo que nela estava escrito. O Evangelho é o “ministério da justiça”, nisso a justiça de Deus é revelada pela fé. Isso nos mostra que o justo viverá pela fé. Também revela a graça e a misericórdia de Deus por meio de Jesus Cristo, pra obter a remissão dos pecados e a vida eterna. (Ler Rm 7.6). Não culpamos a lei (Rm 7.7), mas o pecado é o culpado por tomar ocasião pela lei (que é “santa, justa e boa” Rm 7.12).

“Porque também o que foi glorificado, nesta parte, não foi glorificado, por causa desta excelente glória” (v.10). Como o brilho de uma candeia é despercebido quando o sol surge e avança em sua força, assim não havia glória no Antigo Testamento em comparação com o novo.

“Porque, se o que era transitório foi para glória, muito mais é em glória o que permanece” (v.11). A lei foi colocada de lado, mas o Evangelho permanece. Além da glória da face de Moisés ter se desfeito, a glória da lei de Moisés também foi colocada de lado; sim, a lei de Moisés está agora abolida. Esta dispensação deveria continuar por um tempo e então desaparecer; mas o evangelho permanecerá até o fim dos tempos e estará sempre vigoroso e próspero e permanecerá glorioso.

Extraído de: HENRY, Matthew. Comentário Novo Testamento, CPAD.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Lição 3 - A Glória do Ministério Cristão

INTRODUÇÃO

Nesta lição, o apóstolo Paulo faz um contraste entre sua conduta e a dos falsificadores da palavra de Deus. Paulo fala de Cristo com sinceridade e simplicidade, o que torna o seu ministério glorioso, pois seu principal objetivo é a pregação do Evangelho.
Aprenderemos que é necessário disciplinar os que cometem ofensas, objetivando a pureza da igreja, mas é indispensável que isso seja feito com amor.
Também devemos tomar cuidado com os falsificadores da palavra de Deus, pois não são poucos e, às vezes, estão infiltrados na congregação dos santos.
Traçaremos uma linha cronológica para melhor compreensão das idas de Paulo a Corinto.


LEITURA BÍBLICA (2Co 1.12-14,21,22; 2.4,14-17)

“Porque a nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência, de que, com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo e maiormente convosco” (v.12). O apóstolo testifica da sua integridade e apela para o testemunho da sua consciência. A consciência é a representante de Deus na alma, e a voz da consciência é a voz de Deus,desde que ela não esteja cauterizada pelo pecado. O apóstolo Paulo foi um verdadeiro israelita, um homem de procedimentos autênticos. Ele era um homem de sinceridade e todas as suas conversas com os coríntios não ocorreu com sabedoria carnal, nem com visões mundanas, mas pela graça de Deus. Fica de exemplo para nós: nossa conversa será bem ordenada quando vivermos e agirmos debaixo da influência e comando de um princípio tão generoso no coração: a consciência com simplicidade e sinceridade de Deus.

“Porque nenhumas outras coisas vos escrevemos, senão as que já sabeis ou também reconheceis; e espero que também até ao fim as reconhecereis, como também já em parte reconhecestes em nós” (vv.13-14). Paulo tem esperança e confiança no conhecimento dos coríntios acerca dele e seus companheiros. Os coríntios nunca acharam nada neles que não fosse honesto, nem teriam qualquer motivo para pensar ou dizer isto. Assim, o regozijo era mútuo “...somos a vossa glória, como também vós sereis a nossa no Dia do Senhor Jesus”. Quando ministros e membros se alegram uns pelos outros aqui, essa alegria será completa naquele dia, quando o grande Pastor das ovelhas aparecer.

“Mas o que nos confirma convosco em Cristo e o que nos ungiu é Deus, o qual também nos selou e deu o penhor do Espírito em nossos corações” (vv.21-22). As promessas do Deus da verdade são feitas em Jesus Cristo (v.20). E são confirmadas pelo Espírito Santo que firma os cristãos na fé do evangelho. O Espírito Santo foi dado como penhor em nossos corações. Um penhor garante a promessa e é parte do pagamento. Aleluia! O Espírito Santo é o penhor da vida eterna.

“Porque, em muita tribulação e angústia do coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que vos entristecêsseis, mas para que conhecêsseis o amor que abundantemente vos tenho” (2.4). Paulo testifica o seu amor para com os coríntios. Ele tinha escrito com muitas lágrimas e angústia do coração. Nisso aprendemos que mesmo nas repreensões, admoestações e atos de disciplina, os ministros fiéis mostram seu amor. O exercício da disciplina da igreja para com os ofensores é uma tristeza para ministros que possuem um coração bondoso, e são administrados com pesar.

“E graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar o cheiro do seu conhecimento” (2.14). Paulo tinha oportunidade de abrir sua boca livremente e Deus abria os corações dos seus ouvintes, como o coração de Lídia (At 16.14). E ele fala disso como um aspecto de gratidão a Deus. Observe que o triunfo do cristão está “em Cristo”. Nada temos em nós mesmos, mas em Cristo podemos nos regozijar e triunfar, pois somos mais do que vencedores por meio daquele que nos amou (Rm 8.37). A Deus, portanto, todo louvor e glória, ele é o motivo do sucesso do evangelho.

“Porque para Deus somos o bom cheiro de Cristo, nos que se salvam e nos que se perdem. Para estes, certamente, cheiro de morte para morte; mas, para aqueles, cheiro de vida para vida...” (2.15-16). O evangelho surte diferentes efeitos sobre os diferentes tipos de pessoas, pois alguns são salvos por ele, enquanto outros perecem por rejeitá-lo. Para alguns o evangelho “tem cheiro de morte para morte”. São aqueles que são voluntariamente ignorantes, obstinados, antipáticos com o evangelho. Para outros o evangelho é um “cheiro de vida para vida”. São as almas humildes e generosas,para os quais a pregação da palavra é agradável e proveitosa. Para esses, o evangelho os estimulou inicialmente, quando estavam em ofensas e pecados (Ef 2.1), e terminará em vida eterna.

“...E, para essas coisas, quem é idôneo?”. A pergunta é: quem é digno de ser empregado num trabalho tão significativo, tão importante, por causa das grandes consequências? Quem é capaz de realizar um trabalho tão difícil, que requer tanta habilidade e diligência? A obra é grande e nossa força é pequena. A nossa força está em Deus.

“Porque nós não somos, como muitos, falsificadores da palavra de Deus; antes, falamos de Cristo com sinceridade, como de Deus na presença de Deus” (2.17). Naquela época já existia muitos falsificadores da palavra de Deus, mas o apóstolo Paulo testemunhava da sua fidelidade, porque ministros fiéis seriam aceitos e recompensados por Deus, não por causa do seu sucesso, mas de acordo com sua fidelidade. Paulo foi fiel em ministrar o evangelho, como o recebeu do Senhor. Ele falava e agia sempre como se estivesse na presença de Deus, e por isso o fazia com sinceridade.


1. LINHA CRONOLÓGICA DAS IDAS DO APÓSTOLO A CORINTO.
“Não podemos ter voz onde a Bíblia se cala”

- Em sua segunda viagem missionária, o apóstolo Paulo implanta a igreja em Corinto (At 18.1-17), ficando ali mais de 18 meses (vv.11,18). Devido aos problemas que surgiram naquela igreja, o apóstolo teve que manter contato com eles.

- Enquanto Paulo estava em Éfeso, escreveu uma carta aos coríntios (1Co 5.9-13). Essa carta se perdeu, embora alguns autores acreditem que parte dela esteja em 2Co 6.14 – 7.1.
- Através de contatos e correspondências (1Co 5.9; 7.1) bem como por uma delegação da Igreja de Corinto composta por Fortunato, Acaico e Estéfanas (16.17), e por meio dos da “casa de Cloe” (1.11), Paulo obteve informações que lhe sugeriram escrever, de Éfeso, a segunda carta, conhecida por Primeira aos Coríntios. Ele intenta ir a Corinto (1Co 4.18; 16.5-7).

- Paulo faz uma segunda viagem a Corinto, provavelmente no período compreendido entre a 1 e 2 Coríntios. O apóstolo queria que eles tivessem “uma segunda graça”, ou seja, um outro momento com eles (2Co 1.15). No v. 16, Paulo diz “...e por vós passar à Macedônia, e da Macedônia ir outra vez ter convosco, e ser guiado por vós à Judéia”. Paulo planejou assim (1Co 16.5-7), passar pela Macedônia e ir ter com os coríntios, pois ele desejava visitar Jerusalém (At 19.21). Essa visita não foi como o apóstolo esperava, pelo contrário, foi muito dolorosa para ele (2Co 2.1-2), pois foi contestado e ofendido gravemente. Por isso, ele ficou pouco tempo em Corinto.

- Possivelmente, a passagem que apóia a 2ª visita de Paulo a Corinto é Atos 20.1-3.
OBS.: Uma outra linha de pensamento afirma que o texto de At 20.1-3 se refere à terceira visita de Paulo a Corinto. Defendem ainda que ele fez uma angustiosa e rápida segunda visita àquela cidade e usam como referência os textos de 2 Co 1.15; 2.1. Defendem esse ponto de vista embora não haja, no livro de atos, nenhum relato sobre alguma visita a Corinto entre At 18 e At 20.

Em sua 3ª viagem missionária, Paulo chegou a Éfeso (At 19.1) enquanto Apolo estava em Corinto. Pregou em toda Ásia (At 19.10); “Paulo propôs, em espírito, ir a Jerusalém, passando pela Macedônia e pela Acaia...” (At 19.21); Note que Corinto era uma cidade da Grécia. Ao sul da Grécia estava a província da Acaia, cuja capital era Corinto. Houve um grande alvoroço em Éfeso, mas quando cessou, Paulo chamou a si os discípulos e, despedindo-se deles “saiu para Macedônia” (At 20.1). Depois disso, foi à Grécia (v.2) e passou ali apenas três meses (v.3). É possível que essa passagem se refira à segunda ida de Paulo aos Coríntios, pois ele diz em 2Co 12.14 e 13.1: “Eis aqui estou pronto para, pela terceira vez, ir ter convosco e não vos serei pesado”, “É esta a terceira vez que vou ter convosco”. Se era a terceira vez, então é inevitável que ele tenha ido uma segunda vez.

- Tudo indica que houve uma terceira carta aos coríntios (2Co 2.4), conhecida como “Carta em lágrimas”. Esta carta também está perdida.
- Tito, voltando de Corinto, encontrou Paulo e lhe trouxe boas notícias (2Co 7.6-16).
- Posteriormente, Paulo escreveu a quarta carta, que é nossa Segunda Coríntios. Tudo indica que foi o próprio Tito que levou essa carta aos Coríntios, mas isso não é provado.


2. A PREGAÇÃO DO EVANGELHO FEITA COM SIMPLICIDADE E SINCERIDADE, CONSTITUI-SE UM MINISTÉRIO CRISTÃO GLORIOSO

“...com simplicidade e sinceridade de Deus, não com sabedoria carnal, mas na graça de Deus, temos vivido no mundo e maiormente convosco” (2Co 1.12)

Paulo tinha a consciência tranqüila do que diz respeito à pregação do evangelho. Ele diz que sua palavra para com os coríntios não foi “sim e não”, mas “sim”. Sim para o Filho de Deus, Jesus Cristo, que entre eles foi pregado, porque todas as promessas divinas cumprem-se em Cristo, e por ele o Amém (1.18-20).

Em nossos dias, a pregação do evangelho é um assunto tão importante porque duas coisas são evidentes: a apostasia geral e o fracasso por parte de muitas igrejas em não apresentar o evangelho de Jesus do modo como deveria ser. As pessoas tornam-se materialistas, pregam heresias, induzem o povo a um evangelho fácil e irresponsável. O que dizer da falsa teologia da prosperidade, que foi condenada na lição passada?

O verdadeiro evangelho é centrado na cruz de Cristo.

Os que são descompromissados com o verdadeiro evangelho chegarão à presença do Senhor e dirão: “Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas?” E, então, Ele lhes dirá abertamente: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt 7.22-23).

Mas aos sinceros e compromissados dirá: “...Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt25.34).


3. SIGNIFICADO DOS TERMOS: “SELO”, “PENHOR”, “TRIUNFO” E “CHEIRO DE CRISTO”.

Selo: 1) Porção de argila ou de cera, carimbada, enquanto mole, com um SINETE, para lacrar portas (Mt 27.66), cartas (1Rs 21.8) e para autenticar documentos em geral (Jr 32.10-14; Ap 5.2); 2) O rolo gravado em alto-relevo ou o anel-sinete usados para SELAR, isto é, carimbar (Gn 38.18; Jr 22.24).

Penhor: Aquilo que é dado como garantia (Gn 38.17; 2Co 1.22; 5.5; Ef 1.14).

OBS.: Deus nos selou, ou seja, o Espírito Santo é o selo oficial da possessão de Deus, que marca o crente como sua propriedade e, ao mesmo tempo, é o penhor, isto é, a garantia de uma vida melhor em Cristo agora, e no futuro a vida eterna.

Triunfo: Na lição, pág.24, o comentarista usa uma definição considerável. Diz que dá a idéia de um cortejo militar, onde um general vitorioso conduz seu exército numa marcha triunfal entrando na capital do império e exibindo seus prisioneiros de guerra diante do povo que assiste o grande cortejo. Segundo alguns estudiosos, o povo queimava incensos e exalava fragrâncias variadas de flores, enchendo o ar daquele agradável cheiro. Dessa mesma forma, Paulo contemplava a força da mensagem do Evangelho.

Cheiro de Cristo: Paulo usa o sentido de uma triunfal procissão romana, onde o general exibia seus tesouros e seus cativos em meio a uma nuvem de incenso queimado aos deuses. Para os vencedores o aroma era doce. Para os cativos, era o cheiro da escravidão e da morte. Quando os cristãos pregam as boas novas, elas são boas para alguns e repulsivas para outros. Os cristãos reconhecem a boa fragrância do evangelho já os incrédulos um mau cheiro como cheiro de morte.


4. A ADMINISTRAÇÃO DA DISCIPLINA NA IGREJA


A igreja administra disciplina aos que cometem pecado, para que se arrependam; essa prática é correta se acompanhada de um sentimento de amor para com o ofensor. “O Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho” (Hb 12.6). Paulo, ao saber que o irmão que cometeu um grave delito na Igreja de Corinto foi repreendido, (2Co 2.7-8) pede para os irmãos perdoá-lo, consolá-lo e confirmar seu amor para com ele, para que fosse salvo.
Não devemos desprezar os que são disciplinados, pois qualquer um está passível de erros. Devemos sim, seguir o exemplo de Paulo e cravar a marca da igreja no coração de toda alma sedenta de Deus, essa marca é o amor.


5. OS FALSIFICADORES DA PALAVRA

Devemos estar atentos aos falsificadores da palavra, pois não são poucos que, abusam da fé alheia com heresias de perdição. Sem contar os que vendem o Evangelho como mercadoria, iludem os interessados visando lucro próprio e usam o nome de Jesus Cristo para fins desonestos.
A própria Palavra de Deus prevê o que nós vemos hoje:
“E surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos” (Mt 24.11);
“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2 Co 11.13).
“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição” (2 Pedro 2:1).
“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1Tm 4.1-2).
O espaço não é apropriado para falar das seitas heréticas, pois são grupos isolados.

Mas não podemos deixar de citar os “novos” grupos que surgem, se auto-intitulando “evangélicos”, mas nada têm de verdadeiro em suas práticas, denominados de neopentecostais ou novo pentecostalismo.
As igrejas que mais se destacam por sua fama, em nosso país são: Igreja Universal do Reino de Deus; Igreja Internacional da Graça de Deus; Igreja Apostólica Renascer em Cristo; Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra; Igreja Mundial do Poder de Deus, entre outras igrejas que vêm se destacando por seu crescimento numérico e por sua teologia fundada muito mais nas experiências do que na Bíblia Sagrada.
Eles valorizam excessivamente as catedrais e os mega-ajuntamentos, onde os pregadores são arrecadadores e não adoradores, pois alguns pastores só podem ser ordenados ao ministério se sua congregação arrecadar 5 mil reais por mês. Por isso, também dão ênfase à falsa teologia da prosperidade como a principal pregação. Não falam sobre o futuro, a salvação, o céu, a redenção; sobre moralidade, caráter, santidade, fruto do Espírito; o ter é mais valorizado do que o ser; valorizam excessivamente sua liderança, quando usam os termos: “apóstolo da fé”, “grande homem de Deus”, “o maior evangelista do século”, “o homem que faz e acontece”, etc., é uma verdadeira idolatrização à liderança. Constantemente usam símbolos e objetos em campanha para materializarem sua fé.
Isso é um pequeno resumo desse grupo de igrejas que não pregam o arrependimento e a fé em Jesus Cristo, como meio de salvar-se da condenação que há de vir (At 17.30-31).


CONCLUSÃO

O apóstolo Paulo e seus companheiros deixam um exemplo memorável de verdadeiros homem de Deus, que não tinham sua vida por preciosa diante das dificuldades encontradas por amor ao Evangelho. Através da simplicidade, da sinceridade, do amor pela obra e a consciência tranqüila, ensinam-nos, na prática, como o ministério cristão é autêntico e confiável, quando seu principal objetivo é a expansão do Evangelho.

Participação especial do seminarista Dc. Tiago Severino, da ESTEADEB em Jaboatão/PE.
Alguns textos foram extraídos de: HENRY, Mattew. Comentário Novo Testamento, CPAD.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

LIÇÃO 2 – O CONSOLO DE DEUS EM MEIO À AFLIÇÃO

“Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (Sl 23.4).
“Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR o livra de todas” (Salmos 34.19).

INTRODUÇÃO

A segunda Epístola aos Coríntios é uma carta muito pessoal do apóstolo Paulo, com relação às outras, pois ele demonstrou toda sua preocupação com aqueles crentes e procurou eliminar a dúvida que eles tinham sobre seu apostolado. Esta carta é, em certo sentido, uma autobiografia de Paulo e uma firme defesa do seu ministério. Paulo mostra grande parte de suas experiências, pensamentos, temores e vida particular. Tinha muito a dizer sobre seus sofrimentos e empenho na causa de Cristo (2Co 11.24-27), bem como do consolo vindo do “Pai das misericórdias e o Deus de toda consolação”.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE (2Co 1.1-7)

“Paulo” (v.1).
A epígrafe das cartas de Paulo sempre se inicia com seu nome. Ele se autodenomina “...apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus”. Paulo foi chamado para esse ministério por Jesus Cristo, e ele atribuía sua posição de apóstolo à escolha de Deus para sua vida (At 9.15). Isto também serviu para mostrar àqueles falsos obreiros que incitavam os cristãos de Corinto que esse título (apóstolo) foi outorgado pela vontade de Deus (Gl 1.15-16).

“...e o irmão Timóteo...”. Paulo une-se a Timóteo para escrever esta epístola, não porque precisasse de ajuda, mas para que pela boca de duas testemunhas a palavra fosse estabelecida. O apóstolo Paulo era muito humilde, pois recomenda Timóteo (embora fosse ainda jovem) para que recebesse a estima e o reconhecimento entre as igrejas.

OBS.: Precisamos recordar que Timóteo era o portador da epístola de 1 Coríntios (1Co 4.17; 16.10), mas nem ele nem a carta foram bem recebidos. Talvez porque Timóteo fosse bastante jovem (1Tm 4.12), deste modo Paulo protege a imagem de Timóteo, que havia sido prejudicada entre os coríntios.

“...à igreja de Deus que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia”. Não somente a igreja, mas todos os cristãos que viviam naquela região, pois o apóstolo não fazia distinção entre os habitantes da cidade e do interior, todos estavam no mesmo plano. A expressão “os santos” (gr. hoi hagioi) é usada 37 vezes em suas cartas, e designa o povo de Deus como aqueles que foram separados ou consagrados como sua propriedade.

“graça a vós e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo” (v.2). Graça e Paz são dois benefícios que se combinam. Não há paz duradoura sem a verdadeira graça. Graça “da parte de Deus” e paz “do Senhor Jesus Cristo”, ou de ambos que beneficiam o homem caído.

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo...” (v.3). O apóstolo inicia agora a narrativa falando da bondade de Deus para com ele e seus companheiros nas suas diversas tribulações, das quais ele fala com um coração grato, louvando a Deus por sua graça em meio às provações.

“...o Pai das misericórdias...”. Paulo testifica, por experiência pessoal, que Deus é uma fonte de infinita misericórdia e conforto para os cristãos que estão sofrendo. Todas as misericórdias têm origem em Deus, Ele “tem prazer na misericórdia” (Mq 7.18, versão RA. Sl 25.10).

“...o Deus de toda consolação”. De Deus veio o consolador (Jo 15.26), Ele deu o penhor do Espírito em nossos corações (2Co 1.22). Todos os nossos confortos vêm de Deus, isto é, a ajuda e o conforto que desejamos estão nEle.

“que nos consola em toda a nossa tribulação...”(v.4). Paulo e seus companheiros receberam de Deus o consolo em toda tribulação que tiveram, pois se depararam com muitas tribulações, mas encontraram consolo em todas elas. Os crentes que suportam aflições por causa de Cristo, estão seguros de que Deus o Pai e o Senhor Jesus Cristo estão prontos a fornecer ajuda e conforto.

“...para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados de Deus”. As próprias aflições de Paulo (v.6), e o conforto que ele recebeu de Deus foram os meios de prepará-lo para oferecer encorajamento divino aos Coríntios, quando enfrentaram provações. Somos mais bem-sucedidos em falar de Deus e de sua bondade quando falamos de experiência própria. Faz parte dos planos de Deus fazer-nos capazes de confortar outros na tribulação (v.14).

“Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também a nossa consolação sobeja por meio de Cristo” (v.5). Esse versículo fala de proporção, ou seja, se sofremos muito por causa de Cristo, podemos estar seguros que Deus nos confortará abundantemente.

“Mas, se somos atribulados, é para vossa consolação e salvação...” (v.6). Os sofrimentos de homens dedicados têm a tendência de acabar bem, quando é suportado com fé e paciência. Se imitarmos a fé e a paciência de nossos líderes quando passam por aflições, poderemos esperar também participar das consolações deles aqui e da sua salvação no futuro. “...se somos consolados, para vossa consolação é, a qual se opera, suportando com paciência as mesmas aflições que nós também padecemos”.

“E a nossa esperança acerca de vós é firme, sabendo que, como sois participantes das aflições, assim o sereis também da consolação” (v.7). Nesse versículo o apóstolo busca encorajar e edificar os coríntios. Ele lhes fala da sua esperança de que receberiam os benefícios das aflições que ele e seus companheiros tinham experimentado no seu trabalho e viagens, para que a fé deles não se enfraquecesse, mas suas consolações fossem aumentadas. A própria experiência de Paulo deu-lhe uma esperança confiante de que os coríntios se tornariam vitoriosos em suas aflições.


AFLIÇÃO E CONSOLO


O apóstolo demonstra sua fé e gratidão a Deus, mesmo diante das várias lutas, perseguições e calúnias que sofrera. Ele mesmo diz: “Porque, em muita tribulação e angústia do coração, vos escrevi, com muitas lágrimas...” (2.4). Entretanto, no início desta carta ele afirma que Deus é “o Pai das misericórdias e o Deus de TODA consolação” (1.3). É nesse Deus que Paulo coloca toda sua confiança, pois Ele “nos consola em TODA a nossa tribulação” (v.4).

O comentarista da lição, Pr. Elienai Cabral, destaca que “o consolo que recebemos de Deus, em meio aos sofrimentos, serve de bênçãos para nós mesmo e para os outros [...] na verdade, a Bíblia nos fala aqui da responsabilidade do crente em relação aos seus irmãos em Cristo, quando enfrentam tribulação, lutas, sofrimentos e dificuldades”.

OBS.: Precisamos aprender que faz parte do plano de Deus nos capacitar para enfrentar as “aflições” com bom ânimo (Jo 16.33). Para isso, é necessário passarmos por aflições, para formar nosso caráter cristão através de várias experiências. Paulo convida Timóteo para sofrer com ele as aflições (2Tm 2.3). Encontramos na Epístola de Tiago um conselho: “Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações, SABENDO que a prova da vossa fé produz a paciência” (Tg 1.2-3). A palavra “tentação” tem o sentido de “várias provas”. Muitos pedem a Deus paciência, mas não sabem que pedir paciência é pedir provações! Como posso consolar alguém que está passando por uma situação difícil sem eu nunca ter passado por dificuldades e, consequentemente, ter sido consolado por Deus?
Paulo recomenda aos Romanos: “E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações, SABENDO que a tribulação produz a paciência; e a paciência, a experiência; e a experiência, a esperança. E a esperança não traz confusão...” (Rm 5.3-5).

OBS.: Preciso destacar aqui palavra “SABENDO”, pois ela é comum nos dois textos acima e esclarece um pequeno, mas tão importante detalhe! Quando passamos por provações, aflições, tribulações, etc., NÓS SABEMOS que é para um propósito, a saber, para adquirirmos paciência, experiência e esperança. Essas qualidades nos transformam em pessoas preparadas, em agentes de Deus para ajudar nossos irmãos. Para ilustrar, gostaria de usar o exemplo de José do Egito: Um jovem inexperiente, conta sonhos exaltados, causa inveja em seus irmãos que, para não o matar, vendem-no como escravo... Então começa sua aflição. Mas Deus usou seu sofrimento para lhe dar experiência, e depois para usá-lo e salvar sua família (Gn 45.4-5).


A FALSA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE

A chamada “Teologia da Prosperidade”, em ênfase hoje no Brasil por vários segmentos “evangélicos”, a saber: Igreja Universal do Reino de Deus; Igreja Internacional da Graça; Igreja Mundial do Poder de Deus, entre outras, tem enfatizado que seguir a Jesus é sinônimo de a uma vida de sucesso financeiro, projeção social e quase imunidade a qualquer tipo de sofrimento.

Um cristão que vive sofrendo é porque não está bem espiritualmente: ou está em pecado ou não tem fé. Crente não deve ser pobre, nem doente. Pobreza e doença são marcas de pessoas dominadas pelo poder do diabo.

Tais pensamentos são anti-bíblicos e heréticos. Se atentarmos para a história, encontraremos vários exemplos de sofrimentos e martírios contra a vida de alguns discípulos que foram chamados por Jesus.

O próprio Paulo, sendo julgado perante Nero, foi condenado a ser decapitado; outros morreram queimados, apedrejados e de muitas outras formas de torturas.

Os cristãos não estão livres do sofrimento nem da pobreza. Jesus disse ao jovem rico: “...vai, e vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me” (Mc 10.21).

“Milhões de crentes zelosos no Terceiro Mundo nada têm de posses materiais. Estão eles enganados ou fracos na fé? Eles entendem mais sobre a cruz do que de carro do ano e a única riqueza de que se ufanam é a vida eterna” (MENSAGEIRO DA PAZ. Jornal. Junho de 1991, p 15).

Portanto, as aflições são inevitáveis, mas o consolo que vem da parte de Deus é certo, e traz consigo refrigério e descanso para nossas almas.


AMARGURA E LIBERTAÇÃO

Os versículos 8-11 não estão na leitura bíblica, mas foram comentados no 3º tópico da lição.

“Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira agravados mais do que podíamos suportar, de modo tal que até da vida desesperamos” (v.8).

Era conveniente para as igrejas saberem quais eram os sofrimentos dos seus ministros. Embora não saibamos especificamente quais eram as dificuldades enfrentadas na Ásia, talvez o tumulto levantado por Demétrio em Éfeso (At 19), ou a briga com feras mencionada na epístola anterior (cap. 15), ou alguma outra tribulação. Certo é, que eles foram “sobremaneira agravados”, acima de qualquer força comum de cristãos normais. Ele pensou que poderia ter morrido.

Paulo diz que eles foram levados a esse extremo “para que não confiássemos em nós, mas em Deus” (v.9). Com isso aprendemos que Deus muitas vezes leva seu povo a enfrentar grandes dificuldades, para que possam perceber sua própria insuficiência e sejam convencidos a colocar sua confiança e esperança no Deus Todo-poderoso.

CONCLUSÃO

Experiências passadas são grande alento para a fé e a esperança, e ajudam para confiarmos em Deus no futuro e consolar outros irmãos. Nossas experiências passadas e atuais servirão para confiarmos em Deus nas futuras dificuldades. Portanto, oremos uns pelos outros e agradeçamos a Deus por tudo, pelas bênçãos e pelas aflições, sabendo que ele nos consolará no momento certo.


HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Novo Testamento.
Novo Comentário Pentecostal, CPAD.
A Cruz e a Teologia da Prosperidade.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

LIÇÃO 1 - A DEFESA DO APOSTOLADO DE PAULO

1º Trimestre de 2010.

INTRODUÇÃO AO TRIMESTRE

Paulo foi chamado apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus (1Co 1.1). Em sua segunda viagem missionária, fundou a Igreja na cidade de Corinto e ensinou-a os fundamentos da fé cristã durante 18 meses (At 18). Precisou ausentar-se para continuar sua viagem, entretanto, aquela igreja envolveu-se em vários problemas doutrinários e de comportamento. O apóstolo então escreve 1 Coríntios, para corrigir os desvios doutrinários e problemas daquela igreja, usando palavras duras, a saber: “por ventura não sois carnais?”, “sois meninos em Cristo”, etc. Ainda censurou-os duramente, dizendo que estavam inchados, pois nem ao menos ficaram tristes por não ter sido tirado do meio deles um irmão que cometeu incesto, fato este que nem entre os gentios se ouvira falar de ter acontecido (1Co 5); imediatamente o apóstolo ordena a retirada do tal do meio deles (1Co 5.13). Isso causou rebelião e grande oposição por parte de alguns falsos mestres que levantaram dúvida acerca da autoridade apostólica de Paulo. Para defender-se, o apóstolo escreve 2 Coríntios, epístola que iremos estudar durante esse trimestre.


AUTORIA DA CARTA

Não há dúvidas que o apóstolo Paulo é o autor de 2 Coríntios, basta ler 1.1 e 10.1.


LOCAL E DATA DA ESCRITA

É provável que Paulo estivesse na Macedônia quando escreveu esta carta (2.12-13; 7.5; 8.1; 9.2).
A maioria dos historiadores defende que a data aproximada é 56 d.C.


CONTEXTO HISTÓRICO E CULTURAL DE CORINTO

Corinto era uma cidade da antiga Grécia, a terceira metrópole do império romano, perdendo apenas para Roma e Alexandria. Estava situada entre a Itália e a Ásia, possuindo dois portos adjacentes que facilitava o comércio entre os países daquela região. Nenhuma cidade da Grécia era mais favoravelmente situada para o comércio por terra e mar. Com base nisso, não é de admirar que Corinto fosse um lugar de intenso comércio e prosperidade, lugar adequado para produzir luxo de todos os tipos. Também era altamente influenciada pela filosofia grega.
A cidade era famosa especificamente por causa da fornicação, de tal maneira que uma “mulher coríntia” era uma expressão proverbial para uma prostituta.
Existia ali um templo dedicado a Afrodite, deusa do amor, possuindo cerca de mil sacerdotisas-prostitutas pagãs, que usavam seus corpos para imoralidade e idolatria nos rituais.


A IGREJA DE CORINTO

Em sua segunda viagem missionária, o apóstolo Paulo implantou uma igreja cristã em Corinto (At 18.1-18), onde permaneceu por 18 meses (At 18.11). Algum tempo depois, precisou prosseguir em sua viagem e ausentou-se da cidade.
Em sua terceira viagem missionária, o apóstolo chega à Éfeso (At 19.1), permaneceu lá por aproximadamente 3 anos (At 19.8-10; 20.31). Durante este período, recebeu notícias sobre o que se passava na igreja de Corinto.


AS CARTAS AOS CORÍNTIOS

Encontramos em 1Co 5.9, que o apóstolo teria escrito uma carta àquela igreja, cujo conteúdo é desconhecido. Porém, nós não perdemos nada com isso, se Deus quisesse teria conservado a carta e ela estaria na Bíblia.

Algum tempo depois, Paulo recebe relatórios pelos membros da “casa de Cloe” (1Co 1.11) sobre os muitos problemas que permeavam a igreja de Corinto; também Estéfanas, Fortunato e Acaico, chegaram (1Co 16.17) trazendo uma carta (7.1) contendo várias perguntas para que Paulo respondesse. O apóstolo Paulo então escreve a carta denominada de 1 Coríntios e a envia por Timóteo (1Co 4.17), para regar o que tinha plantado e corrigir algumas desordens que tinham sido introduzidas durante sua ausência.

Paulo planejava ir pessoalmente à Corinto (1Co 4.18; 16.6-8; 2Co 1.15,16; 2.1), mas foi impedido por algum tempo.

Aproximadamente um ano depois de enviar Timóteo com a carta denominada de 1 Coríntios, ele escreve outra carta denominada de 2 Coríntios.
OBS.: Alguns comentaristas acreditam que houve uma carta intermédiária entre 1ª e 2ª Coríntios, com base em 2Co 2.4.

PORQUE O APÓSTOLO PAULO NÃO FOI À CORINTO E O QUE O MOTIVOU A ESCREVER “2 CORÍNTIOS”?

Encontramos no capítulo 2, que o apóstolo Paulo expressa um relato dos motivos de não ter ido a Corinto, como era esperado.
- O apóstolo Paulo estava, em parte, triste com os relatos vindos daquela igreja (vv.1,5);
- Ele estava angustiado enquanto escrevia, e as lágrimas rolavam em seu rosto (v.4);
- Paulo amava aquela igreja e não queria encontrá-los naquela situação;
- Embora não esteja claro nesse texto, o apóstolo também sabia da grande oposição que se levantou por parte dos falsos apóstolos (2Co 11.13), que colocavam em dúvida sua autoridade apostólica.

Nos versículos 5-11, o apóstolo trata daquele irmão que cometeu incesto. Isso deve ter sido a causa principal da epístola, pois “o tal” irmão foi excomungado e repreendido por muitos (v.6). Compreendemos que o tal irmão se arrependeu, pois estava triste (v.7), e o apóstolo aconselha aos coríntios a perdoá-lo e consolá-lo, confirmando o amor que eles tinham por uma alma.
Nos versículos 8-10, o apóstolo explica o efeito da carta que tinha escrito (1 Coríntios), o qual serviu de consolo para ele quando soube que a igreja acatou suas determinações. Embora que o tal irmão incestuoso gozasse de grande influência na igreja de Corinto, sendo provavelmente líder de algum partido, apoiado por obreiros fraudulentos, mesmo assim os irmãos daquela igreja obedeceram à ordem de Paulo (1Co 5.1) e repreenderam o pecador, excomungando-o. Por isso, o apóstolo diz: “para isso vos escrevi também, para por essa prova saber se sois obedientes em tudo” (v.9).

Não deixe de ler Provérbios 28.23: “O que repreende ao homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua”.


CONCLUSÃO

Este humilde comentário serviu apenas de introdução ao trimestre. Aprendemos muitas coisas nesta lição, com o apóstolo Paulo: amar sem ser conivente com o erro e estar disposto a sofrer perseguições por amor a Cristo.
Veremos nas próximas lições que o apóstolo Paulo provou sua autoridade apostólica pelas experiências e revelações recebidas diretamente do Senhor Jesus Cristo.
Não era fácil ser crente em Corinto, na verdade era um desafio! O orgulho, a avareza, o luxo e a concupiscência eram alimentados e incentivados pela influência externa daquela cidade imoral e idólatra.
Sempre haverá opositores no meio da igreja do Senhor, entretanto, sempre haverá crentes fiéis e obedientes que, mesmo sofrendo, não abrirão mão da causa do Mestre.Diz o apóstolo: “...não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” (1Co 5.11).

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Não havia lugar para eles na estalagem...

O que você faria se soubesse que o menino Jesus nasceria hoje em uma gruta próximo de sua casa?
- Com certeza você faria uma limpeza geral, colocaria umas pétalas de rosas perfumadas pelo chão; flores macias na manjedoura para aconchegar o Salvador.

Se ainda não fez, então faça! A gruta representa seu coração. Limpe-o, retire todo pensamento negativo, ódio, soberba, angústia, depressão, desilusão, desamor...

Jesus pode nascer e fazer morada em seu coração, se você quiser, e desfrutarás a paz, alegria, esperança e uma vida abundante, cheia de amor.
De: Jean Claude e família a todos os leitores do Blog EBD.NET

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

LIÇÃO 1 – DAVI E A SUA VOCAÇÃO

4º Trim. 2009 – Davi, as vitórias e as derrotas de um homem de Deus

INTRODUÇÃO


Iniciamos mais uma lição, onde vamos estudar sobre a vida de Davi, os altos e baixos desse homem de Deus que, com certeza, foi um divisor de águas na história de Israel e vai ser na nossa também.
Iniciaremos com a intenção introdutória, trazendo um breve histórico que antecede a chamada de Davi, bem como a ascensão e a queda do primeiro rei de Israel, e as circunstâncias em que o personagem principal dessa lição foi chamado por Deus.


CONTEXTO HISTÓRICO

Antes de falarmos sobre a vocação Davi para ser o rei de Israel, alguns acontecimentos precisam ser destrinchados para termos uma visão histórica dos fatos que são narrados nos livros do profeta Samuel, último juiz de Israel.

Observando os livros de Samuel, notamos a presença destacada de três personagens na História de Israel: Samuel, Saul e Davi. Também lemos sobre um acontecimento importante (embora temporário), que foi a integração das tribos em um corpo nacional governado por um único soberano, ou seja, o cenário descreve a transição de Israel de uma teocracia (liderados por Deus) a uma monarquia (liderados por um rei).

Tudo começa com o nascimento de Samuel, filho de Ana esposa de Elcana, da tribo de Efraim. Samuel não apenas encerrou o período dos juízes, como iniciou a série dos grandes profetas de Israel com a unção (isto é, a consagração) dos dois primeiros reis de Israel: Saul e Davi.

No capítulo 2, o sacerdote Eli, foi repreendido pelo Senhor por causa de seus filhos Hofni e Finéias, que cometiam grandes pecados perante o Senhor (1Sm 2.12,17, ver v. 22), de forma que Deus castigou Israel por causa deles. Foram derrotados e envergonhados diante dos filisteus, e a arca da aliança foi tomada.

Criado no Templo, Samuel inicia seu ministério ainda jovem, e crescia perante o Senhor (1Sm 2.18,21). Sua mãe (Ana, ex-estéril) entregou-o ao sacerdote Eli. Samuel servia de maneira a agradar a Deus e aos homens (v.26). Aos 12 anos começou a profetizar e tudo que falava se cumpria. Em 1Sm 3.21, encontramos que Deus se manifestava a Samuel e ele era tão respeitado que no cap. 4.1, temos a expressão: “veio a palavra de Samuel a todo Israel”. Diz o relato que “Samuel julgou a Israel todos os dias da sua vida” (7.15).

O povo pede um rei

Sendo Samuel já velho, residia em Ramá e constituiu seus filhos como juiz (8.1). Vieram a ele todos os anciãos de Israel, e disseram: “Eis que já estás velho, e teus filhos não andam pelos teus caminhos; constitui-nos, pois, agora, um rei sobre nós, para que ele nos julgue, como o têm todas as nações”(8.5). O reinado fazia parte das promessas do concerto entre Deus e Abraão (Gn 17.6); e na bênção que Jacó proferiu sobre seus filhos, destinou a monarquia à tribo de Judá (Gn 49.10). Moisés previu o dia em que Israel ficaria descontente com o governo direto de Deus (Dt 17.14,15; 28.36). Tal profecia cumpriu-se no incidente aqui registrado, quando Israel pediu um rei humano.
A resposta de Deus a Samuel foi: “Ouve a voz do povo em tudo quanto te disser, pois não te tem rejeitado a ti; antes, a mim me tem rejeitado, para eu não reinar sobre ele. Conforme todas as obras que fez desde o dia em que o tirei do Egito até ao dia de hoje, pois a mim me deixou, e a outros deuses serviu, assim também te fez a ti” (vv. 7,8). Deus considerou o pedido dos israelitas como eles o rejeitando como seu rei. Os israelitas pediram um rei humano, para que fossem “como todas as outras nações; e o nosso rei nos julgará, e sairá adiante de nós, e fará as nossas guerras” (v. 20).

Embora não fosse o momento de Deus, para eles terem um rei, e fosse injusta a sua motivação, Deus os atendeu no que pediram.

Saul é consagrado rei

Havia na tribo de Benjamim, um homem chamado Quis, este tinha um filho, cujo nome era Saul, tão belo que entre os filhos de Israel não havia igual, pois se sobressaia dentre todos do ombro para cima (9.2). Indo, pois, buscar as jumentas de seu pai, não as achou. Intentando voltar, um moço que estava com ele disse: “Eis que há nesta cidade um homem de Deus, e homem honrado é; tudo quanto diz sucede assim infalivelmente; vamo-nos agora lá; porventura, nos mostrará o caminho que devemos seguir” (9.6). Porém, um dia antes o Senhor revelou aos ouvidos de Samuel, e disse: “Amanhã, a estas horas, te enviarei um homem da terra de Benjamim, o qual ungirás por capitão sobre o meu povo de Israel, e ele livrará o meu povo da mão dos filisteus; porque tenho olhado para o meu povo, porque o clamor chegou a mim.” (9.16). Saul, chegando-se à porta, pediu a Samuel que lhe mostrasse onde morava o vidente (profeta), pelo que lhe respondeu: “Eu sou o vidente; sobe diante de mim ao alto; e comei hoje comigo; e pela manhã te despedirei e tudo quanto está no teu coração to declararei” (9.19). Samuel disse ainda que Saul não se preocupasse com as jumentas, pois tinham sido encontradas. Saul passou na noite ali e no dia seguinte, desceram às extremidades da cidade e, ali, Samuel ungiu Saul como rei (10.1).

Os primeiros tempos do reinado de Saul ficaram marcados por uma brilhante vitória sobre os amonitas, antigos inimigos de Israel (1Sm 11); mas não demorou muito até que a imagem de força e coragem do jovem Saul começasse a desvanecer. O rei tornou-se instável e covarde. Os filisteus vieram contra os israelitas com 30 mil carros e seis mil cavaleiros, e o povo em multidão como a areia do mar, pelo que os israelitas ficaram angustiados e tremeram (1Sm 13.1-7). Enquanto isso, Saul esperava em Gilgal por Samuel para oferecer o sacrifício. Passaram-se sete dias e Samuel não chegava, o povo começava a se espalhar, então Saul ofereceu o holocausto. Acabando ele de oferecer, Samuel chegou e o repreendeu dizendo: “Agiste nesciamente e não guardaste o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te ordenou; porque, agora, o SENHOR teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre. Porém, agora, não subsistirá o teu reino; já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração e já lhe tem ordenado o SENHOR que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou” (13.13-14).
Durante todos os dias de Saul, houve forte guerra contra os filisteus (14.52).
Samuel manda Saul destruir totalmente os amalequitas, pois Deus queria cumprir o que disse a Moisés (Ex 17.8,14; Dt 25.17), porém Saul não matou o rei dos Amalequitas, nem destruiu o melhor dos despojos. Então veio a palavra do Senhor contra Saul, a Samuel dizendo: “Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir e não executou as minhas palavras” (15.11). Assim, Deus rejeitou a Saul por causa de sua desobediência, pois é melhor obedecer do que sacrificar (15.22,23,26).

O Senhor enviou o profeta Samuel para ungir a Davi como novo rei de Israel (1Sm 16.12-13).


DAVI

Seu nome significa “chefe ou amado”. Era um humilde pastor das montanhas da Judéia, perto de Belém. Filho caçula de Jessé, descendente da tribo de Judá (filho de Jessé, neto de Obed, bisneto de Booz, trineto de Salmon e de Raab, tetraneto de Naassom e descendente de Judá pela linhagem de Jerameel).
O nome “Davi” aparece pela vez primeira em Rute 4.17, 22, e cerca de 900 vezes em toda a Bíblia.
Davi era um jovem cheio de qualidades: “Então, respondeu um dos jovens e disse: Eis que tenho visto um filho de Jessé, o belemita, que sabe tocar e é valente, e animoso, e homem de guerra, e sisudo em palavras, e de gentil presença; o SENHOR é com ele” (1Sm 16.18).


A SITUAÇÃO EM QUE DAVI FOI CHAMADO

O rei Saul desencadeou uma crise espiritual


De acordo com a lição, a vocação de Davi se deu a partir do momento que Deus rejeitou Saul. Deus havia ordenado a Saul que esperasse em Gilgal até que chegasse Samuel, para oferecer sacrifícios e dar-lhe as instruções (1Sm 10.8). Entretanto, Saul não passou nesse teste, pois mediante a demora de Samuel, após os sete dias combinados, desesperado (1Sm 13.8) e achando-se capaz, dá uma de sacerdote e oferece o sacrifício no lugar de Samuel, contrariando a palavra de Deus. Disse, pois, Samuel a Saul: “Agiste nesciamente e não guardaste o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te ordenou [...] não subsistirá o teu reino ; já tem buscado o SENHOR para si um homem segundo o seu coração e já lhe tem ordenado o SENHOR que seja chefe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou” (1Sm 13.13,14). Vale ressaltar que embora Saul tenha permanecido rei até o fim de sua vida, seu filho Jônatas não sucedeu o trono.
Deus deu a Saul uma oportunidade de obedecer a sua palavra, lembrando-se do que fez Amaleque ao povo de Israel quando saiu do Egito, de como se opôs no deserto (Ex 17.8-13). Saul foi responsabilizado pela total destruição dos amalequitas (descendentes de Amaleque) e seus perversos caminhos (1Sm 15.3). Porém, Saul não cumpriu totalmente a ordem de Deus e pela segunda vez não passou no teste (1Sm 15.18-23).


A providência divina em meio à crise

O profeta Samuel lamentava a situação em que se encontrava a liderança do povo de Deus. Diz o relato que Samuel “teve dó de Saul” e que “o Senhor se arrependeu de que pusera a Saul rei sobre Israel” (1Sm 15.35). Mas como Deus está no controle de tudo, declarou a Samuel que já havia se provido de um rei, e esse era conforme o seu coração (1Sm 16.1; 13.14, cf. Sl 89.20; At 13.22).

Aplicação:

Já podemos aprender uma lição neste ponto, pois Deus ainda escolhe homens e mulheres para executar sua vontade, entretanto, muitos seguem o caminho de Saul, o caminho da desobediência, da presunção, da rebeldia... cujo destino é a derrota! Contudo, devemos ter a aprovação de Deus para continuar servindo com obediência e humildade, tanto liderando como sendo liderado, pois como diz o pensador Mahatma Gandhi: “quem não vive pra servir, não serve para viver”.


A VOCAÇÃO DE DAVI

“Achei a Davi, meu servo; com o meu santo óleo o ungi” (Sl 89.20).


Lendo este salmo, observamos que a chamada de Davi foi pela vontade divina, mas essa vocação da parte de Deus envolve também muitos fatos na história bíblica.
Como bem colocou o comentarista da lição, quando lemos o primeiro versículo do Novo Testamento, já percebemos que Jesus, o Messias prometido, viria da descendência de Davi (Is 11.1-2), que por sua vez era descendente de Abraão, a quem Deus fez a promessa que, de sua descendência, abençoaria todas as famílias da terra (Gn 12.2,3;17.4-6); também foi confirmado pelo apóstolo Paulo que diz: “Da descendência deste (Davi), conforme a promessa, levantou Deus a Jesus para Salvador de Israel” (At 13.23).

O PROPÓSITO DA VOCAÇÃO DE DAVI

A chamada de Davi estava na mente de Deus, pois Ele é onisciente e sabe todas as coisas antes que elas aconteçam. Além disso, tudo que Deus promete, Ele cumpre. Então, se a promessa era para abençoar todas as famílias da terra pela descendência de Abraão, isso certamente teria de ser cumprido. Daí o propósito da chamada de Davi: abençoar a nação israelita e, por extensão, todas as famílias da terra.
Deus escolheu Israel para ser sua propriedade particular (Ex 19.5), pois seu plano era, através desse povo, prover salvação para a humanidade, o que ocorreu na Nova Aliança feita pelo sangue de Jesus (Mt 26.28; Hb 9.15).
Através de Davi, Deus estabeleceu seu propósito com seu povo, além de capacitar o rei a escrever, inspirado pelo Espírito Santo, maravilhosos salmos que servem de auxílio e edificação dos cristãos. Da descendência de Davi, nasceu Jesus Cristo, o legítimo herdeiro do trono de Israel que estabelecerá um reino eterno, pois a Escritura diz: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu Reino não terá fim” (Lc 1.32-33).


CONCLUSÃO

Deus cumpre tudo que promete através sua vontade absoluta. Embora Israel fosse uma nação obstinada (ou seja, desobediente, Dt 9.13), isso não impediu de realizar seus propósitos. Deus deu um rei ao povo na sua ira, e lhe tirou no seu furor (Os 13.11), entretanto, sua misericórdia é infinita (Lm 3.22), Ele providenciou outro rei segundo o seu coração, e consagrou-o para ser chefe sobre seu povo, dando-lhe muitas vitórias e, uma delas está na próxima lição: “Davi enfrenta e vence o gigante”.
Deus chama quem quer, mesmo sendo o mais novo ou o desprezado, pois Deus escolhe as coisas fracas desse mundo para confundir as fortes (1Co 1.27). Não saia do lugar, espera e no tempo certo o Senhor vai te chamar.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

NOTA: Mais de 30 mil acessos!

Desejo externar os meus sinceros agradecimentos aos leitores, pois, atualmente, as muitas atividades não permitem a constância de publicação dos assuntos expostos nas lições, mesmo assim não deixam de visitar meu blog. Deus vos abençoe ricamente!

LIÇÃO 13 – A SEGURANÇA EM CRISTO

INTRODUÇÃO

Ao fim desse trimestre, com certeza estamos desfrutando das ricas lições a respeito dos fundamentos da fé cristã e da perfeita comunhão com Deus. E, para concluir, a lição de hoje nos leva a conhecer os privilégios de ser um verdadeiro cristão. Perceberemos isto na leitura bíblica em classe e, em seguida, quando discorremos sobre a vida eterna, sobre o perfil de quem tem as orações ouvidas e as evidências do novo nascimento. Desejamos desde já que o Espírito Santo opere, sem reserva, nos corações de todos os que acompanharam esses estudos edificantes e transformadores de vida.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE (1Jo 5.13-21)

O texto da leitura bíblica de hoje é uma continuação da leitura passada, sendo que inicia no versículo 13. Encontramos logo de início a expressão: “estas coisas vos escrevi”, o que nos leva a indagar: que coisas são estas? Na verdade, os versículos 10-13 falam sobre o privilégio do crente de poder ter a vida eterna no Filho de Deus e, através dEle, receber todas as sortes de bênçãos que advém do Evangelho. Podemos dizer que o apóstolo João resumiu o evangelho na seguinte frase: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho” (v.11).

“Estas coisas vos escrevi, para que saibais que tendes a vida eterna e para que creiais no nome do Filho de Deus”. (v.13).
Aqui fica exposto o motivo de o apóstolo pregar e ensinar essas coisas aos crentes, ou seja, tudo que ele escreveu aos seus leitores foi com o propósito de mostrar evidências e testemunhos, para que eles cressem no nome do Filho de Deus. Esses crentes precisavam saber que têm a vida eterna e deveriam sentir-se estimulados, encorajados e confortados diante desta perspectiva: eles deveriam valorizar as Escrituras, que foram escritas para consolo e salvação deles. Deixar de crer no nome do Filho de Deus significa renunciar à vida eterna e encaminhar-se para a direção da perdição. Portanto, todos devem perseverar até o fim.

“E esta é a confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (v.14). Observe, o apóstolo João mostra o privilégio pertencente à fé em Cristo, a saber: buscar a Deus em qualquer circunstância, com todas as nossas súplicas e pedidos. Por meio dele (Jesus) nossas orações são aceitas por Deus. Vale ressaltar que tudo que pedimos deve está em concordância com a vontade declarada de Deus. Não é certo fazer petições para nossos próprios interesses, pois somos de Deus e dependemos dele; é certo que a oração da fé será ouvida se não for contrária à vontade do Senhor.

“E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos” (v.15).
Além do privilégio também temos essa vantagem, pois grandes são os livramentos, as misericórdias e as bênçãos que o cristão necessita. Tanto sabemos que somos ouvidos quanto sabemos que nossas orações são respondidas.

“Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore” (v.16). Aqui está a orientação no pedir em relação aos pecados de outros. Tantos devemos orar por nós como pelos nossos semelhantes, para que sejam iluminados, convertidos e salvos. Para ilustrar os pecados para morte e os que não são para morte, podemos citar a constituição humana justa: existem crimes cuja pena não é para morte, ou seja, diversos aspectos de injustiça podem ser pagos sem a morte do delinqüente. Em oposição, há pecados que pela constituição justa, são para morte, ou para a perda legal da vida. Esses são chamados de crimes capitais. Da mesma forma, há pecados que, pela constituição divina são para morte, tanto corporal quanto espiritual. O caso de Ananias e Safira no capítulo 5 de Atos mostra um exemplo da morte física como conseqüência de ter pecado contra o Espírito Santo; podemos também citar o que Paulo disse na primeira carta aos coríntios cap. 11 v. 30: “Por causa disso, há entre vós muitos fracos e doentes e muitos que dormem”.
Existem também os pecados que, pela constituição divina, são para a morte espiritual. Esses apresentam uma completa incredulidade no presente, que inevitavelmente o conduzirá à morte eterna. A blasfêmia ao Espírito Santo é um pecado considerado como apostasia total da verdade relacionada à fé cristã (Mt 12.31).

OBS.: Não podemos orar pelo perdão dos pecados de uma pessoa que permanece descrente, pois enquanto ela permanecer nesse estado, não alcançará perdão dos pecados. Mas podemos orar pelo arrependimento dela, para ser iluminada com a fé em Cristo. Entretanto, no caso em que parece que alguém cometeu a imperdoável blasfêmia contra o Espírito Santo, e a total apostasia dos poderes esclarecedores e convincentes da fé cristã, tudo indica que não se deveria orar por essa pessoa de forma alguma, pois já não resta sacrifício pelos pecados dessa pessoa, mas uma certa expectativa horrível de juízo (Hb 10.26-27).

“Toda iniqüidade é pecado, e há pecado que não é para morte” (v.17).
Embora toda iniqüidade seja pecado, nem todo pecado é para morte, pois então estaríamos todos definitivamente condenados à morte, mas há pecado perdoável, que não envolve uma obrigação plena para a morte eterna.

A partir do versículo 18, temos uma recapitulação dos privilégios e vantagens de cristãos saudáveis.

“Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca...” (v.18). Ou seja, todo que é nascido de Deus está assegurado contra a plenitude do domínio do pecado. Em outras palavras, não vive na prática do pecado, ou ainda: “não peca” com plenitude de coração e espírito como os não regenerados o fazem (ver 3.6,9). Ele é guardado contra esse pecado que inevitavelmente acaba em morte ou infalivelmente obriga o pecador ao salário da morte eterna.

“...mas o que de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca”. Outra vantagem dos nascidos de Deus é que eles são fortificados contra as tentativas destrutivas do diabo, isto é, ele é capacitado para guardar-se a sim mesmo.

“Sabemos que somos de Deus e que todo o mundo está no maligno” (v.19). A humanidade está dividida em dois grandes partidos ou domínios: um pertence a Deus e outro ao maligno. Os crentes em Cristo pertencem a Deus. Eles são de Deus e neles se cumpre o que está escrito em Dt 32.9; enquanto, do outro lado, “todo o mundo”, o restante, a maior parte, “está no maligno”, e esse tem um controle tão grande aqui que é chamado de “...o deus deste século” (2Co 4.4). Mas a condenação eterna já lhe está reservada e quão grande é julgamento de Deus sobre esse maligno!

“E sabemos que já o Filho de Deus é vindo e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro...” (v.20). Os cristãos também têm a vantagem de ser conhecedor do Deus verdadeiro e eterno. O Filho de Deus veio ao nosso mundo, e nós o vimos e o conhecemos por todas as evidências que já foram afirmadas. Ele nos revelou o Deus verdadeiro (Jo 1.18), e também abriu a nossas mentes para entender essa revelação, nos dando uma luz interior em nossa compreensão, para entendermos as glórias do verdadeiro Deus. Esse é o mesmo Deus que, de acordo com o relato de Moisés, fez os céus e a terra, o mesmo que fez uma aliança peculiar com nossos pais, os patriarcas, o mesmo que libertou os nossos ancestrais do Egito, que nos deu a ardente lei no monte Sinai, que nos deu seus oráculos santos e prometeu o chamado e a conversão dos gentios. Pelos seus conselhos e obras, pelo seu amor e graça, pelos seus terrores e julgamentos, sabemos que Ele, e somente Ele, na plenitude do seu ser, é o Deus vivo e verdadeiro.

“...e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”. O Filho nos leva ao Pai, e nós estamos nos dois, no amor e favor dos dois, no concerto, aliança e conjunção espiritual com ambos pela habitação e operação do seu Espírito: e, para que tenhamos uma idéia do tamanho da dignidade e felicidade disso, temos de lembrar que “este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”, ou melhor, “Este mesmo Filho de Deus é também o verdadeiro Deus e a vida eterna” (Jo 1.1 e 1Jo 1.2).

“Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém!” (v.21). O apóstolo finaliza dizendo: Filhos queridos (como tem sido interpretado), uma vez que conhecestes o verdadeiro Deus, e estais nele, deixai que sua luz e seu amor vos guardem contra tudo aquilo que é colocado contra Ele, ou que procura competir com Ele. Fujam dos falsos deuses do mundo pagão. Eles não são compatíveis com o Deus a quem vós pertenceis e serves. Não adoreis a Deus por meio de estátuas ou imagens, mas apegai-vos a Ele pela fé, amor e obediência constantes, em vossa mente e no vosso coração.


I – A CERTEZA DA VIDA ETERNA

A vida eterna é um dom (Jo 3.14-16; Rm 6.23) e significa mais do que mera existência; significa vida no favor de Deus e comunhão com Ele. Morto em transgressões e pecados, o homem está fora do favor de Deus; pelo sacrifício de Cristo, o pecado é expiado e o homem restaurado à plena comunhão com Deus. Estar no favor de Deus e em comunhão com Ele é ter vida eterna, pois é a vida com Ele que é o Eterno. Essa vida é possuída agora porque os crentes estão em comunhão com Deus; a vida eterna é descrita como futura (Tt 1.2; Rm 6.22), porque a vida futura trará perfeita comunhão com Deus. "E verão o seu rosto" (Ap 22.4).

1.1. Existe diferença entre imortalidade e vida eterna?

A imortalidade é futura (1Co 15.53,54), e refere-se à glorificação dos nossos corpos mortais na ocasião da ressurreição. A vida eterna refere-se principalmente ao espírito do homem: é uma possessão que não é afetada pela morte do corpo. A vida eterna alcançará sua perfeição na vinda de Cristo, e será vivida em um corpo glorificado que a morte não mais poderá destruir.
Todos os cristãos, quer vivos quer falecidos, já possuem a vida eterna, mas somente na ressurreição terão alcançado a imortalidade.

1.2. O direito à vida eterna

Quando os pecadores são adotados para serem filhos de Deus, são revestidos de todos os direitos filiais legais e se tornam herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Rm 8.17). Isto significa, antes de tudo, que eles se tornam herdeiros de todas as bênçãos da salvação na presente vida, sendo que a mais fundamental delas é descrita com as palavras: “o Espírito prometido”, isto é, a bênção é oferecida na forma do Espírito, Gl 3.14; e, numa frase um pouco diferente: “o Espírito de seu Filho”, Gl 4.6. E no Espírito e com Ele, recebem todos os dons de Cristo. Mas isto não é tudo; sua herança inclui também as bênçãos eternas da vida futura. A glória de que Paulo fala em Rm 8.17 vem em seguida aos sofrimentos do tempo presente. De acordo com Rm 8.23, a redenção do corpo, que ali é chamada “adoção”, também pertence à herança futura. E Rm 8.29,30, a glorificação está ligada imediatamente à justificação. Sendo justificados pela fé, os crentes são herdeiros da vida eterna.

1.3. Cinco evidências específicas pelas quais o crente poderá “saber”, com confiança e certeza, que tem a vida eterna:

(1) a evidência da verdade apostólica a respeito de Cristo (1.1-3; 2.21-23; 4.2,3,15; 5.1,5,10,20);
(2) a evidência de uma fé obediente que guarda os mandamentos de Cristo (2.3-11; 5.3,4);
(3) a evidência de um viver santo, isto é, afastar-se do pecado, para comunhão com Deus (1.6-9; 2.3-6,15-17,29; 3.1-10; 5.2,3);
(4) a evidência do amor a Deus e aos irmãos na fé (2.9-11; 3.10,11,14,16-18; 4.7-12,18-21); e
(5) a evidência do testemunho do Espírito Santo no crente (2.20,27; 4.13). João afirma, por fim, que a pessoa pode saber com certeza que tem a vida eterna (5.13) quando estas cinco evidências são manifestas na sua vida.

II – A ORAÇÃO QUE DEUS OUVE

O versículo 14 da lição em estudo mostra a confiança que temos em Deus: “se pedirmos alguma coisa, SEGUNDO A SUA VONTADE, Ele nos ouve”. Infelizmente muitos ignoram isso!
Aproveitando o ensejo, é bom frisar que muitos de nós não sabemos orar corretamente. Observe o que Jesus diz: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á” (Mt 7.7); Tiago diz que “nada tendes, porque não pedis” (4.2). Estas passagens sem contexto nos estimulam a pedir as coisas a Deus demasiadamente. Entretanto, quando prosseguimos com a leitura do contexto imediato, descobrimos que pedimos e não recebemos porque pedimos mal, para gastar em nossos deleites (Tg 4.3).
Vamos simular uma oração de um mal pedinte: “Deus, ajuda-me a conseguir aquele trabalho”, “Jesus, por favor, cura minha garganta”, “Senhor, manda dinheiro suficiente para eu pagar minhas contas”, “Pai, livra-me do meu medo”... etc. Essas são orações irrefletidas, que não condiz com a vontade de Deus. Será que o tipo de oração “Deus me dê isso, faça aquilo, tira-me dessa confusão” é o que Deus deseja para uma vida de oração? Muito pelo contrário, muitos estão frustrados, porque não sabem pedir e se desepcionam por não receber o que pediu, chegando até a colocar a culpa em Deus!

2.1. O que é orar?

Orar não é simplesmente pedir coisas, embora isso faça parte da oração. O mais importante é saber que orar é conversar com Deus. Podemos dizer que é a conversa da alma com Deus.

2.1.1 A natureza da oração

A verdadeira oração é caracterizada pela confissão, veja esses exemplos do Velho Testamento (1Rs 8.47; Ed 9.5-10; Ne 1.6,7; 9.33-35; Dn 9.3-15). O Novo Testamento também nos dá exemplos deste tipo de oração (Mt 14.33; 15.25; 28.9; Ap 4.11). Somente depois de confessarmos e glorificarmos a Deus em nossa oração é que estamos prontos a pensar em nós mesmos.
Já vimos que somos encorajados pelas Escrituras a fazer pedidos a Deus (Dn 2.17-18; Jo 11.22; At 4.29; Fl 4.6), mas a Bíblia exorta-nos a fazer intercessões pelos outros (1Tm 2.1), pelos governantes (1Tm 2.2), por Israel (Sl 122.6), pelos não salvos (Lc 23.34; At 7.60), recém convertidos (2Ts 1.11), todos os santos (Ef 6.18; Tg 5.16), os que se desviam (1Jo 5.16), os obreiros cristãos (Ef 6.19,20; 1Ts 5.25), e nossos inimigos (Mt 5.44).

2.1.2. A oração e a providência

“Se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos” (1Jo 5.15). Observe que deve existir uma relação entre a oração e a providência. A oração muda as coisas; mas como é que isso se harmoniza com o plano e propósito soberano de Deus? Será que a oração ocasiona uma mudança de idéia em Deus? Não é bem assim. Devemos entender que Deus estabeleceu certos limites gerais dentro dos quais Seu universo deve operar. Ele deu ao homem liberdade para agir dentro desses limites. Então, a oração tem seu valor quando a pessora que ora crê que Deus ouve sua oração e vai respondê-la, tendo em mente que, a vontade de Deus está acima de tudo e até a lei da natureza é superada pela lei de Deus, quando Ele quer.

2.1.3. Como devemos orar?

Nem tudo que os homens chamam de oração é a verdadeira oração. Até mesmo os discípulos de Jesus perceberam sua deficiência neste aspecto e pediram a Jesus que os “ensinasse” a orar (Lc 11.1); e o fato do Senhor fazer o que pediram confirmou a convicção deles. Paulo expressa o mesmo sentimento quando declara: “não sabemos orar como convém”, e acrescenta: “mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26 e seguintes).
Consideremos então como devemos orar: (1) A Escritura ensina que devemos orar ao Pai (Jo 16.23) e ao Filho (At 7.59), mas não há oração registrada na Bíblia que seja dirigida ao Espírito Santo, isso porque o Espírito Santo tem o papel mais de orar em nós (Rm 8.26), do que receber nossas orações; (2) Não existe nenhuma prescrição de posição particular para orar, asm as Escrituras ilustram e ensinam todas elas. Assim, temos: em pé (Mc 11.25), ajoelhado (Lc 22.41), prostrado no chão (Mt 26.39), deitado na cama (Sl 63.6, assentado (1Rs 18.42), etc; (3) Devemos orar sempre (Lc 18.1; Ef 6.18); (4) Em todo lugar (1Tm 2.8); (5) E o mais importante ao orar é o estado do coração daquele que ora, pois Jesus diz: “se permanecedes em mim” (Jo 15.7), representa a condição totalmente abrangente para a oração respondida.


2.2. O pecado para morte

Somos previlegiados por tudo que já vimos sobre a oração, mas o texto da lição mostra o apóstolo João preocupado com a oração feita em relação aos pecados de outros.
Toda a iniquidade é pecado, e nós sabemos que “o pecado é a violação da lei” (1Jo 3.4). A Escritura mostra que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23), portanto, até quando um filho de Deus peca, a recompensa por ter violado a lei é a morte, caso não se arrependa; o texto que diz que “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23), refere-se a todos os pecadores. Mas João escreveu: “Se alguém vir pecar seu irmão pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecaram para morte” (1Jo 5.16); se o irmão que vimos cometer pecado que não é para morte, se arrepender e abandonar a prática, devemos orar a Deus para que ele seja vivificado, e Deus dará a vida a esse crente que cometeu um pecado que não é para morte. Porém existe um pecado que se um crente cometer é impossível de novo levá-lo a arrependimento, e por isso é inútil orar por ele. João diz: “Por esse não digo que ore” (1Jo 5.16); para o irmão que comete este pecado que é para morte não há mais a possibilidade de se arrepender e de obter vida de eterna. O crente que comete este pecado para morte é condenado à segunda morte, isto é, ao lago ardente de fogo e enxofre, pois este pecado o conduz à segunda morte. Veja o comentário do versículo 16 no tópico da leitura bíblica em classe.

2.2.1. Quais os pecados para morte?

O Pr. Ciro Sanches Zibordi responde da seguinte maneira:

“O pecado para morte (1 Jo 5.16), dependendo de sua gradação, traz como conseqüências: sofrimentos, morte espiritual, morte física e até perdição eterna. São, na verdade, tipos de pecado que levam o seu praticante à morte física prematura, como: desobediência deliberada (1 Rs 13.26); incesto (1 Co 5.5); murmuração (1 Co 10.5); profanação (1 Co 11.29-32); desvio (Jr 16.5,6); tentar a Deus (Nm 14.29,32,35; 18.22; 27.12-14); falsidade (At 5.10); rebeldia, não a momentânea, mas como estado (Ef 6.3), etc. Esse tipo de pecado, como um estado, envolve transgressão e desobediência deliberadas, continuadas, conscientes. Os praticantes desse tipo de pecado estão mortos espiritualmente e somente poderão receber a vida caso se arrependam de verdade. E o verdadeiro arrependimento envolve intelecto, sentimento e vontade. O arrependimento de Judas, por exemplo, foi incompleto, posto que envolveu apenas a parte sentimental e possivelmente a intelectual, não resultando em ação, como no caso de Pedro. Na parábola dos dois filhos (Lc 15) vemos que o filho pródigo teve um arrependimento completo.”
(http://pastorciroresponde.blogspot.com/2008/08/pecado-para-morte.html)



III – A EVIDÊNCIA DO NOVO NASCIMENTO

Este tópico leva-nos à lição 12 (pág. 86), cujo conteúdo trata do novo nascimento que é a regeneração. Tomando como base a passagem do Evangelho de João cap. 3, onde um príncipe dos fariseus, chamado Nicodemos, foi ter com Jesus reconhecendo sua missão e admirando seus milagres. Entretanto na resposta de Jesus percebemos que não é suficiente admirar os milagres e reconhecer que Jesus foi enviado de Deus, mas ele deveria nascer de novo: “...na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3).

3.1. O que é nascer de novo?

É viver uma nova vida. É ter uma nova natureza, novos princípios, novos afetos e novos objetivos. Abandonar o primeiro nascimento, que nos ensinou a viver na prática do pecado, tornando-nos corruptos, de acordo com o modo de viver desse mundo.

A regeneração é o ato divino que concede ao homem arrependido que creu uma nova vida e mais elevada mediante a união pessoal com Cristo. É um processo que envolve o nascimento, ou ser gerado por Deus (Jo 3.8); a purificação, que é a lavagem da alma de toda impureza vinda de outrora (Tt 3.5); a vivificação ou renovação do Espírito Santo (Cl 3.10).
Após o novo nascimento, o filho de Deus deve buscar a santificação, pois sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 12.14).


CONCLUSÃO


Diante do que foi exposto pelo apóstolo João, onde ele rebate os erros doutrinários dos falsos mestres, incentivando-nos a manter uma vida santa em comunhão com Deus, na certeza da vida eterna mediante a fé obediente em Jesus, o Filho de Deus, podemos dizer que, os fundamentos da fé cristã e a perfeita comunhão com Deus é o que precisamos para alcançar a condição necessária para nossa salvação e vida eterna.


HENRY, Matthew. Comentário Novo Testamento, CPAD.
Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD.THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. Editora Batista Regular, 1997.